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Na vida

Ariel Palacios lança “Futebol Lado B” e transforma o jogo em retrato da sociedade

Novo livro do jornalista argentino mergulha nas histórias improváveis, políticas e humanas do futebol mundial

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O futebol como paixão popular, disputa simbólica, ferramenta política e espelho social. É desse ponto de partida que o jornalista Ariel Palacios constrói Futebol Lado B, obra que chega às livrarias em maio propondo um olhar menos óbvio sobre o esporte mais consumido do planeta.

Conhecido pela abordagem analítica e bem-humorada em livros e reportagens sobre a América Latina, Ariel agora desloca o foco para histórias curiosas, absurdas e pouco conhecidas do universo do futebol. Mas o objetivo vai além do entretenimento. O livro usa episódios inusitados para discutir comportamento, memória coletiva, identidade e até intolerâncias sociais.

A proposta conversa diretamente com uma percepção cada vez mais presente no jornalismo esportivo contemporâneo: o futebol não pode mais ser analisado apenas pelo resultado de campo. Ao longo dos anos, o esporte se consolidou como um fenômeno cultural capaz de influenciar debates políticos, econômicos e sociais.

É justamente nesse território que Ariel parece mais confortável. Em vez de apostar na nostalgia fácil ou em listas de craques históricos, o autor mergulha nas contradições que cercam o futebol: da idolatria às superstições, das rivalidades nacionais aos exageros emocionais da torcida.

A escolha do título “lado B” ajuda a resumir a proposta. O livro tenta iluminar aquilo que normalmente fica fora dos holofotes: personagens esquecidos, episódios improváveis e situações que revelam como o futebol muitas vezes funciona como extensão da própria sociedade.

A obra também reforça um movimento crescente no mercado editorial esportivo brasileiro. Nos últimos anos, livros sobre futebol passaram a dialogar mais com história, política, comportamento e cultura pop, ampliando o interesse para além do torcedor tradicional.

Com prefácio de Marcelo Barreto, posfácio de André Rizek e texto de orelha assinado por Walter Casagrande, “Futebol lado B” chega respaldado por nomes influentes do jornalismo esportivo nacional.

Para o leitor baiano, acostumado a enxergar o futebol como elemento de identidade cultural e social, a obra dialoga com uma percepção familiar: a de que o esporte nunca foi apenas um jogo.

Na vida

Gustavo Scarpa transforma indicação de livro em incentivo à leitura de audiolivros

Meio-campista do Atlético-MG se une ao Skeelo para disponibilizar 2 mil vouchers e ampliar o alcance da literatura

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O jogador do Atlético-MG, Gustavo Scarpa, voltou a mostrar que sua relação com os livros ultrapassa o campo das redes sociais. Depois de uma indicação de Tolstói ajudar A Morte de Ivan Ilitch a chegar ao topo das vendas e inspirar um clube de leitura de torcedores do Atlético-MG, o jogador agora participa de uma ação com o Skeelo para incentivar o consumo de audiolivros.

A obra escolhida é Flores para Algernon, de Daniel Keyes, uma das leituras recentes elogiadas por Scarpa. Ao todo, 2 mil vouchers para o audiolivro estarão disponíveis para o público que acompanhar os conteúdos publicados pelo jogador nas redes sociais.

Publicado pela Editora Aleph, o clássico da literatura norte-americana conta a história de Charlie Gordon, que passa por um experimento científico capaz de ampliar sua capacidade cognitiva. A narrativa aborda temas como identidade, relações humanas e a forma como as pessoas enxergam umas às outras.

A iniciativa também mostra como a influência de atletas pode ultrapassar o esporte quando existe identificação com outros interesses. Ao levar a literatura para os espaços digitais e para momentos cotidianos, como deslocamentos e treinos, Scarpa ajuda a transformar uma recomendação pessoal em uma experiência compartilhada, e reforça que o livro também pode encontrar novos caminhos para chegar ao público.

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Eventos

UFEsporte inicia planejamento para primeira universidade federal dedicada ao esporte

Comissão para definir estrutura acadêmica prevê início das aulas em 2027

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A Comissão de Implantação da Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) realizou nesta quinta-feira (24), no Ministério da Educação, em Brasília, a primeira reunião para definir a estrutura acadêmica e administrativa da nova instituição.

Criada por lei em julho de 2026, a universidade terá foco na formação de profissionais para áreas como ciência do esporte, gestão esportiva, treinamento de alto rendimento, medicina esportiva, reabilitação e nutrição.

O grupo, formado por 28 integrantes, terá a missão de elaborar o estatuto, o regimento, o projeto pedagógico e a estrutura organizacional da UFEsporte. Também caberá à comissão definir os primeiros cursos da instituição.

A previsão é iniciar as atividades acadêmicas no segundo semestre de 2027, com cinco graduações e cinco cursos de pós-graduação. Em quatro anos, a meta é chegar a 11 cursos de graduação e até 3 mil estudantes.

Além da formação profissional, a proposta coloca questões sociais no centro do projeto, com ações voltadas ao paradesporto, à transição de carreira de atletas e à igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. O desafio será transformar essas diretrizes em uma estrutura acadêmica capaz de aproximar ciência, formação e as necessidades reais do esporte brasileiro.

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Na saúde

O que o xadrez ensina às crianças além do jogo?

Modalidade exercita atenção, estratégia e tomada de decisão e ganha espaço nas escolas

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Diante de um tabuleiro, a criança precisa fazer algo que parece cada vez mais difícil em tempos de estímulos rápidos: parar, observar e pensar antes de agir. É justamente nessa dinâmica que o xadrez pode oferecer aprendizados que ultrapassam as 64 casas do tabuleiro.

A modalidade estimula atenção, estratégia, tomada de decisão e capacidade de adaptação. Nas escolas, esses efeitos podem aparecer não apenas nos resultados das partidas, mas na maneira como os alunos passam a analisar suas escolhas e lidar com os próprios erros.

Na Start Anglo Bilingual School Recreio, o professor Moisés do Carmo acompanha esse processo durante as aulas. Segundo a diretora pedagógica e psicopedagoga Cristiane Cristo, crianças que inicialmente querem movimentar as peças rapidamente passam, com a prática, a observar o tabuleiro, antecipar possibilidades e pensar antes de tomar uma decisão.

Aprender também com o erro

Outro aprendizado está na relação com a derrota. Perder uma peça ou cometer um erro pode gerar frustração, mas a partida continua. Aos poucos, a criança aprende a analisar o que aconteceu, identificar alternativas e adaptar a estratégia.

Esse processo ganha ainda mais significado em competições, como a 3ª etapa do Circuito de Xadrez da Liga Escolar 2026, realizada em 3 de outubro. Além da disputa, os estudantes precisam lidar com regras, expectativa e pressão sem deixar de raciocinar.

A experiência ajuda a mostrar por que o xadrez vem conquistando espaço no ambiente escolar. A modalidade não exige apenas conhecimento de movimentos e aberturas: ensina que uma decisão tem consequências e que mudar de estratégia faz parte do jogo.

Um aprendizado que também passa pela Bahia

Na Bahia, esse movimento encontra um exemplo importante em Paulo Afonso, considerado um dos principais polos de xadrez do país e o maior do estado. A força da modalidade no município ajuda a mostrar que o esporte pode ultrapassar o ambiente competitivo e funcionar também como ferramenta de formação.

No fim, talvez essa seja uma das maiores contribuições do xadrez para as crianças: ensinar que pensar também é uma forma de agir. Antes de mover uma peça (ou tomar uma decisão fora do tabuleiro) observar, avaliar possibilidades e aceitar que nem sempre a primeira escolha será a melhor são habilidades que permanecem depois que a partida termina.

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