A nadadora Ana Marcela Cunha está prestes a enfrentar um dos desafios mais simbólicos das maratonas aquáticas mundiais. Entre os dias 20 e 29 de julho, a campeã olímpica tentará cruzar o Canal da Mancha, trajeto que liga Inglaterra e França e é considerado uma das provas mais exigentes da natação em águas abertas.
Além da dificuldade natural do percurso, a travessia pode colocar a baiana no Guinness World Records. Um representante da entidade acompanhará a tentativa dentro do barco oficial da equipe para validar de forma imediata um possível recorde feminino da prova.
Apesar da possibilidade histórica, Ana Marcela faz questão de afastar a pressão. A atleta afirma que o foco está na experiência e na conclusão da travessia, e não na busca por um tempo específico. O posicionamento revela a maturidade de uma atleta acostumada a competir em alto nível, como disse em entrevista ao portal Olimpíada Todo Dia.
“Quero fazer uma travessia muito mais pelo coração, de realização pessoal e profissional, do que ir para o recorde e me frustrar com aquilo”
Hoje, a melhor marca feminina do Canal da Mancha pertence à tcheca Yvetta Hlavácová, que completou o percurso em 7h25min, em 2006. O trajeto tem cerca de 34 quilômetros em condições ideais, mas a distância pode aumentar de acordo com o comportamento do mar.
Em um dos desafios da preparação, Ana Marcela nadou por 12 horas (no escuro) na Represa Billings, que fica em São Bernardo do Campo. O treino começou às 20h de sexta-feira e terminou às 8h de sábado, pausando apenas para se alimentar (confira no vídeo abaixo).
A travessia contará com uma estrutura de apoio formada por árbitro, videomaker, representante do Guinness, tripulação e pelo guia Igor de Souza, uma das principais referências brasileiras na prova. Ex-atleta de maratonas aquáticas, ele acumula experiência tanto como nadador quanto no acompanhamento de atletas que encaram o desafio.
Para a Bahia, a tentativa representa mais um capítulo da trajetória de uma das maiores atletas da história do nosso esporte. Campeã olímpica em Tóquio 2020 e dona de sete títulos mundiais, Ana Marcela escolheu um ano com calendário internacional menos intenso para realizar um objetivo antigo, que ultrapassa a busca por medalhas.
Ana Marcela Cunha segue determinada a reafirmar uma característica que marcou toda a sua carreira: a capacidade de transformar desafios extremos em conquistas construídas com planejamento, resistência e paixão pelo esporte. Independentemente do cronômetro, a travessia já surge como mais um feito relevante para uma atleta que ajudou a colocar a Bahia e o Brasil no mapa das águas abertas mundiais.