Salvador voltou a ser palco da capoeira neste sábado (29). A Praça da Cruz Caída, no Pelourinho, recebeu a quinta edição do Red Bull Paranauê, que reuniu 16 atletas e milhares de pessoas em uma tarde marcada por música, movimento e tradição.
Na categoria feminina, a baiana Brenda Xavier, a Borrachinha, conquistou o título pelo segundo ano consecutivo. Natural de Alagoinhas, ela derrotou a paulista Marquinha na decisão e ampliou sua história na competição.
A conquista também tem um significado pessoal. Borrachinha pratica capoeira desde os 14 anos e relaciona sua trajetória à ancestralidade e à força de sua avó.
No masculino, o título ficou com o paulistano Arthur Fiu, que superou Tadeu Patuá em uma final equilibrada. Depois de disputar o torneio durante nove anos, o capoeirista finalmente conquistou seu primeiro troféu.
Tradição dentro da roda
A competição colocou diferentes estilos de capoeira no centro da disputa. A cada confronto, uma roleta definia o toque que conduziria a roda: Angola, Regional ou Contemporânea.
Mais do que executar movimentos, os atletas precisaram combinar técnica, estratégia, musicalidade e capacidade de adaptação.
A avaliação ficou a cargo dos mestres Nenel, Maurão e Nani, representantes dos três segmentos da modalidade.
Realizado pela primeira vez em 2016, o Paranauê passou pelo Farol da Barra e, desde 2024, ocupa a Praça da Cruz Caída. A escolha do espaço reforça o vínculo do evento com a história da capoeira, já que o local é reconhecido como cenário da primeira competição da modalidade.
Em Salvador, a disputa ganhou uma dimensão que vai além do esporte. Ao reunir atletas, mestres e público no coração do Pelourinho, o evento ajudou a reafirmar a capoeira como expressão de cultura, identidade, ancestralidade e pertencimento.