O jogo entre Jacuipense e Palmeiras, pela quinta fase da Copa do Brasil, será disputado longe da Bahia. Mandante do jogo de volta, o clube de Riachão do Jacuípe escolheu o Estádio do Café, em Londrina, após descartar alternativas em Salvador e avaliar propostas de outras praças.
A decisão passa, antes de tudo, por limitações estruturais. O Valfredão, casa do Jacuipense, segue em requalificação. Pituaçu, utilizado pelo clube em 2026, também entrará em obras para a Copa do Mundo Feminina. Restaram, então, os principais estádios da capital (Barradão e Arena Fonte Nova), mas nenhum deles se mostrou viável.
No caso do Barradão, o Vitória não aluga o estádio para jogos de outras equipes. Já a Fonte Nova foi considerada uma operação de alto custo, com retorno financeiro incerto. Diante desse cenário, a diretoria optou por olhar para fora do estado.
A escolha por Londrina não foi aleatória. A proximidade com São Paulo e o histórico recente do Palmeiras atuando no estádio pesaram. A expectativa é de casa cheia, com maior presença da torcida adversária, mas também com garantia de receita mais robusta — fator determinante na decisão.
Entre o campo e o caixa
A mudança de mando escancara um dilema recorrente para clubes fora do eixo principal: jogar “em casa” nem sempre significa vantagem esportiva. Em muitos casos, a escolha passa a ser financeira. Ao abrir mão do apoio local, o Jacuipense busca equilibrar contas e maximizar ganhos em um confronto de grande visibilidade. Por outro lado, perde a conexão direta com o seu torcedor e o potencial de transformar o jogo em um evento regional.
O caso não é isolado. Ele revela a dificuldade de clubes baianos em acessar estruturas adequadas em momentos decisivos. Entre estádios em reforma, custos elevados e entraves logísticos, a competitividade acaba sendo impactada fora das quatro linhas. A Copa do Brasil, que poderia ser vitrine e oportunidade de fortalecimento local, se transforma, em parte, em uma equação financeira.
No fim, a escolha por Londrina é pragmática. Mas também levanta uma pergunta incômoda: até que ponto o futebol baiano consegue sustentar seus próprios jogos grandes dentro de casa?