Menos de uma semana depois de conquistar a primeira medalha em um Campeonato Mundial, o baiano Jacky Godmann já encara outro desafio. O canoísta de Itacaré disputa, a partir desta quinta-feira (3), o Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, em Lagoa Santa, Minas Gerais.
Ao lado de Gabriel Nascimento, Jacky foi prata no C2 500m do Mundial de Poznan, na Polônia, com o tempo de 1min39s81. A dupla terminou apenas 58 centésimos atrás dos campeões Zakhar Petrov e Ivan Shtyl. A medalha também representa a evolução de uma parceria que havia ficado perto do pódio um ano antes, com o quarto lugar no Mundial de Milão.
Uma história construída em Itacaré
Nascido em Itacaré, em 1999, Jacky cresceu na comunidade de Porto de Trás em uma família ligada à canoagem. Começou a remar aos oito anos e enfrentou dificuldades financeiras durante a infância, chegando a ajudar a família na venda de caranguejos pescados pela avó.
A morte da mãe, Valdirene, em 2012, fez o atleta se afastar temporariamente do esporte. A retomada veio com o incentivo do amigo Maico dos Santos e, posteriormente, a mudança para São Paulo abriu caminho para resultados nacionais e internacionais.
Em 2014, Jacky foi campeão brasileiro pelo Flamengo. Cinco anos depois, venceu cinco provas no Sul-Americano de Ibarra, no Equador. A evolução o levou às grandes competições da modalidade e, em 2021, ao primeiro pódio em uma etapa de Copa do Mundo, com bronze ao lado de Isaquias Queiroz.
Duas Olimpíadas e agora um Mundial
Jacky estreou nos Jogos Olímpicos em Tóquio, substituindo Erlon Souza na parceria com Isaquias. Mesmo com pouco tempo de preparação, os dois chegaram à final do C2 1000m e terminaram em quarto lugar. O baiano também competiu no C1 1000m.
Para Paris 2024, ajudou o Brasil a conquistar a vaga olímpica no C2 500m ao lado de Filipe Vieira. Nos Jogos, voltou a formar dupla com Isaquias e chegou novamente à final, terminando em oitavo.
O novo ciclo trouxe a parceria com Gabriel Nascimento. Em 2026, os dois conquistaram bronze na Copa do Mundo de Szeged e chegaram à prata no Mundial de Poznan. Jacky também integrou o C4 brasileiro que foi vice-campeão em Montreal.
A trajetória ajuda a explicar o peso da medalha mundial. Jacky não surgiu de uma estrutura pronta nem chegou ao alto rendimento por um caminho linear. Entre a infância em Itacaré, duas Olimpíadas e anos de resultados internacionais, o baiano transformou uma relação familiar e comunitária com a canoagem em uma carreira de alto nível.