O Brasil vive uma transformação silenciosa, porém visível, nas ruas e nas rotinas: as academias se multiplicaram quase três vezes na última década, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 2024. Em dez anos, o número de estabelecimentos saltou de 19,2 mil em 2014 para 56,8 mil em 2024, consolidando o país como um dos maiores mercados fitness do mundo.
A tendência acompanha uma mudança de mentalidade em torno da saúde e do bem-estar. Pesquisas apontam que 57% dos paulistas afirmam praticar atividades físicas regularmente, contra 39% em 2019. O aumento é expressivo entre adultos de 30 a 44 anos, faixa etária mais presente nas academias e centros de treinamento.
Para Bruno Turazzi, diretor de expansão da rede Azzurro Fitness, o fenômeno é resultado de uma cultura mais consciente sobre o papel do exercício físico. “O crescimento reflete uma mudança cultural. As pessoas entendem cada vez mais que atividade física é necessidade, não luxo”, afirma.
Nos últimos anos, o avanço das academias de baixo custo, com planos acessíveis e estrutura moderna, foi determinante para democratizar o acesso. “Antes, treinar era associado a quem tinha renda e escolaridade mais altas. Hoje, academias completas estão em praticamente todas as cidades”, observa Turazzi.
Mas o sucesso do setor traz seus próprios desafios. A expansão enfrenta dificuldades logísticas e financeiras, como o alto custo de aluguel e juros elevados para investimento. “É preciso planejamento para garantir a sustentabilidade das operações”, alerta o executivo.
Ainda assim, o movimento é irreversível. Para especialistas, a prática regular de exercícios já é reconhecida como questão de saúde pública — essencial para controle de doenças crônicas, melhoria do sono, redução do estresse e estímulo à convivência social.