Na saúde

Overtraining: quando o excesso de treino se torna inimigo da performance

Especialistas alertam que a falta de descanso pode causar inflamações, fadiga e comprometer os ganhos do exercício físico

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A rotina ativa tornou-se parte da vida de milhões de brasileiros. Segundo o IBGE, mais de 36% da população acima dos 15 anos já pratica alguma atividade física regularmente — um avanço que reflete a valorização do movimento e do cuidado com o corpo. Corridas de rua, crossfit e triatlo estão em alta, impulsionando uma geração mais preocupada com saúde e bem-estar.

Mas, como lembra o ditado, “nem tudo em excesso faz bem”. O crescimento da cultura fitness trouxe também um fenômeno silencioso e perigoso: o overtraining, nome dado ao desequilíbrio entre o esforço físico e o tempo de recuperação. Quando o corpo não descansa o suficiente, o resultado é uma sequência de reações negativas — queda de desempenho, inflamações, lesões e fadiga crônica.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine mostrou que pessoas que treinam intensamente sem pausas adequadas têm 30% mais chances de desenvolver lesões musculoesqueléticas. E o problema não se restringe a atletas de elite: está cada vez mais presente entre praticantes comuns, motivados por resultados rápidos ou pela pressão estética das redes sociais.

O médico Fábio Gabas, fundador da healthtech HMetrix, explica que o segredo está no equilíbrio. “O esporte é um dos grandes pilares da saúde, mas quando a pessoa ignora os sinais do corpo, o excesso se torna prejudicial. Mais importante do que treinar muito é treinar certo”, afirma.

Esse “treinar certo” envolve mais do que frequência e intensidade: passa por alimentação adequada, sono de qualidade, gestão do estresse e acompanhamento profissional. Segundo Gabas, respeitar os limites individuais e planejar períodos de descanso é o que garante evolução real e sustentável.

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