A chegada do verão amplia a presença de pessoas nas ruas, praias e espaços abertos de Salvador, cidade onde a prática esportiva ao ar livre faz parte da rotina. Corrida de rua, ciclismo, vôlei de praia, futevôlei, beach tennis, surfe e bodyboard tendem a ganhar ainda mais adeptos nesta época do ano. Junto com os benefícios do exercício e do contato com a natureza, cresce também a necessidade de cuidado com a pele.
O alerta não é exagero. O câncer de pele segue como o tipo de tumor mais comum no Brasil, respondendo por cerca de um terço de todos os diagnósticos oncológicos no país. De acordo com especialistas, entre 90% e 95% dos casos estão diretamente associados à exposição solar, o que torna a doença altamente prevenível com medidas simples no dia a dia.
Existem dois grandes grupos da doença. O câncer de pele não melanoma, que inclui o carcinoma basocelular e o espinocelular, representa cerca de 95% dos casos e, em geral, tem bom prognóstico quando tratado precocemente. Já o melanoma, menos frequente, é o mais agressivo e pode se espalhar rapidamente para outros órgãos, exigindo diagnóstico rápido e acompanhamento especializado.
Para quem treina sob o sol, o risco aumenta com a exposição prolongada e repetida, comum em modalidades praticadas na orla e em vias abertas. Segundo o cirurgião oncológico Ricardo Motta, a prevenção passa por hábitos que deveriam fazer parte da rotina esportiva. O uso diário de protetor solar com FPS 30 ou superior, reaplicado ao longo do treino, roupas com proteção UV, bonés ou chapéus e óculos escuros são medidas básicas. Sempre que possível, também é recomendado evitar atividades entre 10h e 16h, período de maior intensidade dos raios solares.
Outro ponto essencial é a observação da própria pele. Manchas novas, feridas que não cicatrizam ou mudanças em pintas devem ser avaliadas por um médico. No caso do melanoma, o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento. Nos estágios iniciais, a remoção cirúrgica costuma ser suficiente. Em casos mais avançados, terapias como imunoterapia e tratamentos-alvo ampliaram as chances de controle da doença.