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Nas pistas

Circuito Baiano de Skate Street abre temporada em Salvador com a beleza da Cidade Baixa

Etapa na Ribeira reúne atletas de diferentes regiões e se consolida como porta de entrada para o cenário nacional

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Salvador volta a ser ponto de encontro do skate baiano neste fim de mês. A capital recebe, no fim de semana (dias 28 e 29), a primeira etapa do Circuito Baiano de Skateboard Street 2026, na pista da Praia da Ribeira, no Bonfim, marcando o início da temporada da modalidade no estado.

Com expectativa de cerca de 100 atletas, a competição reúne sete categorias, entre masculino e feminino, e reforça uma característica que tem se consolidado nos últimos anos: o crescimento da participação feminina e a diversidade de níveis dentro do esporte.

Mais do que uma disputa local, o circuito ganha relevância por ser homologado pela Confederação Brasileira de Skateboarding. Na prática, isso transforma a etapa baiana em via de acesso ao Campeonato Brasileiro, ampliando o alcance do evento e atraindo atletas de diferentes cidades da Bahia e também de estados vizinhos.

Esse ponto ajuda a explicar o aumento do interesse. Em um cenário onde nem todos os estados possuem competições reconhecidas nacionalmente, o circuito baiano passa a ocupar um espaço estratégico no calendário do skate nordestino.

Ao mesmo tempo, o evento mantém uma característica importante: o acesso. Com entrada gratuita para o público, a etapa na Ribeira aproxima o esporte da população e reforça o papel dos espaços urbanos como centros de convivência e formação esportiva.

A escolha do local também não é por acaso. A orla da Ribeira carrega um simbolismo que dialoga com a essência do skate, um esporte que nasceu da rua e ainda se alimenta da relação direta com a cidade. Inspirado por nomes como Rayssa Leal, o skate vive um momento de expansão no Brasil. Na Bahia, ter um circuito homologado nacionalmente ajuda a traduzir esse crescimento em oportunidade concreta para novos atletas.

Artigos

Kart: o mercado de R$ 1 bilhão que o Brasil ainda não enxerga

Por que um mercado consolidado segue invisível e o que falta para transformar pilotos em ativos no esporte?

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por Geraldo Affonso Ferreira*

Existe um mercado bilionário no Brasil que, apesar de sua escala, ainda não é tratado como indústria. O kart, tradicional porta de entrada do automobilismo, movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no País, forma pilotos e envolve milhares de famílias – mas segue fora do radar do capital institucional.

Essa cifra, pouco conhecida fora do próprio ecossistema, é sustentada por uma base de cerca de 2.800 pilotos filiados à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). O investimento anual por piloto pode variar de R$ 120 mil a mais de R$ 500 mil, dependendo do nível competitivo. Trata-se de um fluxo relevante de recursos que se distribui por uma cadeia ampla e recorrente, que inclui pneus, motores, chassis, equipes, logística e inscrições.

Diferentemente de outros esportes estruturados por direitos de mídia, o kart brasileiro é financiado quase integralmente pelas famílias dos pilotos. Isso cria um mercado resiliente, com receita recorrente e baixa dependência de ciclos externos. Ao mesmo tempo, essa característica ajuda a explicar por que o setor permanece invisível para investidores: ele cresce de forma orgânica, mas sem estrutura.

O principal desafio não é falta de escala, é falta de organização.

Hoje, não existem métricas amplamente aceitas sobre o tamanho do mercado, o perfil de consumo, o retorno para patrocinadores ou mesmo a cadeia completa de fornecedores. Sem dados e sem governança, o kart não é percebido como uma indústria, apesar de já operar como uma.

Quando olhamos para os principais campeonatos nacionais, essa dinâmica se torna ainda mais clara. O Campeonato Brasileiro de Kart, por exemplo, já superou 650 inscrições em uma única edição, com forte presença de categorias de entrada, mas também com participação relevante de pilotos adultos, especialmente nas categorias sênior e master. Isso revela um duplo motor econômico: de um lado, a formação contínua de novos talentos; de outro, uma base consolidada de praticantes com maior poder aquisitivo, responsável por grande parte do consumo recorrente.

Na prática, o kart brasileiro combina duas dimensões que raramente coexistem com tanta força: ele é, ao mesmo tempo, um funil de formação esportiva e um mercado estruturado de lazer de alto padrão. Essa combinação, por si só, já deveria colocá-lo no radar do capital.

Mas há uma questão ainda mais relevante: o potencial de transformar o piloto em um ativo.

Hoje, o investimento no kart é, majoritariamente, um custo assumido pelas famílias, sem uma estrutura que permita capturar valor ao longo do tempo. Não há mecanismos consolidados de acompanhamento de performance, de projeção de carreira ou de mensuração de retorno para quem investe. Com isso, perde-se a oportunidade de enxergar o piloto como um ativo em desenvolvimento, algo que é a realidade de outros esportes.

À medida que o setor se organiza, esse cenário pode mudar. Quando você cria método, padronização e métricas, passa a ser possível acompanhar a evolução de um piloto, entender seu potencial, estruturar sua trajetória e, principalmente, conectar essa jornada a investidores e marcas. O piloto deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo com potencial de valorização ao longo da carreira.

Isso abre espaço para novos modelos. Desde aportes privados na formação de talentos até estruturas mais sofisticadas, semelhantes a fundos de investimento em atletas, passando por contratos de longo prazo com patrocinadores que entram mais cedo na jornada. Mas, para que isso aconteça, é preciso resolver o problema central: organização.

Foi a partir dessa leitura que começaram a surgir iniciativas para trazer governança, método e organização para a formação de pilotos no País. Além de preparar atletas, precisamos desenvolver métricas, padronizar processos, estruturar jornadas e transformar um ecossistema hoje fragmentado em um mercado mais compreensível e acessível ao capital. Em outras palavras, criar as condições para que o kart deixe de ser apenas um conjunto de iniciativas isoladas e passe a ser reconhecido como uma cadeia econômica organizada.

O kart brasileiro já tem escala, recorrência e uma base ativa altamente engajada. É importante destacar que entidades como a CBA cumprem um papel fundamental na organização esportiva e regulatória do kart no Brasil. O desafio que se coloca agora não é regulatório, mas estrutural e econômico: como criar um ambiente que permita maior previsibilidade, transparência e atração de capital para um mercado que já possui escala relevante

E, na história dos negócios, são justamente esses momentos — em que um mercado já existe, mas ainda não está organizado — que costumam concentrar as maiores oportunidades.

* Geraldo Affonso Ferreira, epecializado em governança corporativa, Geraldo Affonso Ferreira foi executivo de multinacionais do setor de papel e celulose por 30 anos. É criador da Motori Brasil, organização da sociedade civil que tem como objetivo profissionalizar a formação de pilotos a partir do Kart.

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Nas pistas

Pedal da Cidade transforma aniversário de Salvador em ato coletivo de esporte e ocupação urbana

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Nem a chuva afastou quem decidiu celebrar os 477 anos de Salvador de forma ativa. O Pedal da Cidade reuniu ciclistas de diferentes perfis na orla, em um percurso de 16 quilômetros entre a Boca do Rio e Amaralina, reforçando uma tendência que vai além do lazer: a reocupação dos espaços urbanos por meio do esporte.

O evento, promovido pela Prefeitura, integrou a programação do aniversário da capital e evidenciou como iniciativas simples podem estimular hábitos mais saudáveis. Mais do que um passeio, o pedal se consolidou como um convite à mobilidade alternativa em uma cidade historicamente marcada pela dependência do transporte motorizado.

A adesão mesmo sob tempo instável revela um dado importante: há demanda reprimida por atividades ao ar livre que sejam acessíveis e coletivas. A presença de bicicletas compartilhadas, por exemplo, ampliou o alcance da ação e reduziu barreiras de entrada, que é um ponto-chave para democratizar o ciclismo urbano.

Outro aspecto relevante foi o caráter solidário. A arrecadação de alimentos adiciona uma camada social ao evento, conectando esporte e cidadania. Esse tipo de iniciativa amplia o impacto e reforça o papel do esporte como ferramenta de transformação.

Ainda assim, o desafio permanece. Eventos pontuais mostram o potencial, mas a consolidação de uma cultura ciclística em Salvador depende de políticas contínuas: infraestrutura segura, integração com o transporte público e estímulo permanente ao uso da bicicleta no dia a dia.

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Nas pistas

Salvador recebe circuito nacional de triathlon e alavanca a modalidade no Nordeste

Com cerca de 600 atletas, evento na orla de Piatã abre a temporada do Campeonato Brasileiro

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Salvador se torna neste fim de semana um dos principais centros do triathlon brasileiro. A capital baiana recebe o Campeonato Brasileiro de Longa Distância e a Copa Nordeste de Triathlon, reunindo cerca de 600 atletas em provas que movimentam a orla de Piatã desde as primeiras horas do domingo.

A programação inclui seis modalidades, com largadas entre 5h45 e 7h35, distribuídas entre natação na região de Placaford, ciclismo nas avenidas Orlando Gomes e 29 de Março, e corrida ao longo da orla. A diversidade de provas, que vão do super sprint à longa distância, amplia o alcance do evento, que vai do atleta iniciante ao competidor de elite.

Na prática, os números mostram a força da modalidade. As inscrições para a Copa Nordeste foram esgotadas ainda em dezembro, um indicativo do crescimento do triathlon no país e da capacidade de atração da capital baiana. Além disso, as provas de longa distância distribuem pontos importantes para o ranking nacional e classificações internacionais, incluindo o Mundial da World Triathlon.

O evento também carrega um peso simbólico. A presença da campeã mundial Ana Augusta reforça o papel de referência para novos atletas e ajuda a consolidar a Bahia como um polo relevante da modalidade. Desde sua criação, a Copa Nordeste vem se firmando como um festival multisportivo, combinando esporte, turismo e integração social. O cenário das praias nordestinas, aliado à estrutura urbana, contribui para esse modelo.

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