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Na vida

Confira cinco livros sobre esportes para presentear e surpreender neste Natal

Do futebol de várzea à Fórmula 1, passando por biografias e romances sociais, obras que transformam o esporte em reflexão, memória e inspiração

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O Natal é tempo de pausa, encontro e afeto, e também de boas histórias. Para quem busca um presente que dialogue com esporte, cultura e humanidade, o Arena Livre lista alguns lançamentos recentes que ganharam manchete por aqui. São livros que usam o esporte como lente para falar de política, identidade, superação, fé, memória e futuro. A seguir, cinco sugestões que conversam com diferentes perfis de leitores e ajudam a transformar a data em experiência.

O futebol brasileiro aparece sob uma perspectiva rara em “Várzea”, novo romance de Valdo Resende. Ambientada na fictícia Guabiru, no interior paulista, a narrativa parte do campo de terra para expor os bastidores do poder local em plena redemocratização do país, sob o encanto quase místico da Seleção de 1982. Ao acompanhar Olympio, técnico e leiloeiro tragado por disputas políticas após um título regional, o livro questiona como a paixão pelo futebol pode ser instrumentalizada. É leitura ideal para quem gosta de enxergar o esporte como fenômeno social e político — com humor, crítica e memória coletiva.

Três décadas após a morte de Ayrton Senna, o jornalista italiano Nicola Santoro revisita um dos episódios mais traumáticos do esporte mundial em “O Caso Senna – Toda a Verdade sobre o Julgamento”. A edição atualizada recompõe o processo judicial de Ímola com documentos inéditos e análise rigorosa, expondo contradições técnicas e institucionais que atravessaram o caso. Mais do que recontar um julgamento, o livro convida o leitor a refletir sobre responsabilidade, justiça e os limites entre tecnologia, risco e espetáculo. Um presente potente para fãs de Fórmula 1 e do jornalismo investigativo.

“A Saga Cafu: O Grande Sonho”, escrita por Mariah Morais, aposta na emoção e na persistência como fios condutores. Da infância em Jardim Irene à eternidade como capitão do penta, a biografia resgata a trajetória do jogador que mais vestiu a camisa da Seleção Brasileira. O diferencial está no formato multimídia, com QR codes que ampliam a narrativa e aproximam o leitor do personagem por meio de vídeos e depoimentos. Uma boa escolha para quem valoriza histórias de origem humilde, disciplina e longevidade no alto rendimento.

A conexão entre esporte e desenvolvimento pessoal ganha destaque em “Bom Dia, Campeão”, assinado por Bremer em parceria com o especialista em treinamento mental Thiago Linhares. Com linguagem acessível, o livro mistura ciência esportiva, psicologia e espiritualidade para falar de performance, foco e resiliência. Ao compartilhar sua trajetória da Bahia ao topo do futebol europeu, o zagueiro reforça a importância do preparo emocional. É um presente certeiro para quem busca inspiração prática — dentro e fora do esporte.

Fechando a lista, o futebol volta como ferramenta de resistência em “O Canto de Laranjal”, romance de estreia de Felipe de Carvalho Araujo. Ambientada no interior da Bahia, a história acompanha jovens que veem no esporte uma saída possível diante da pobreza, da violência e da escassez. Narrado pelo olhar de um amigo, o livro trata de sonhos interrompidos, laços afetivos e escolhas difíceis, sem romantizar a dureza do caminho. Uma leitura sensível para quem acredita no esporte como espaço de disputa simbólica e esperança.

Presentear com leitura é, também, convidar alguém a olhar a vida por outros ângulos.

Na vida

“Várzea”: romance de Valdo Resende revisita o Brasil profundo onde futebol e política se confundem

Escritor usa humor, memória e crítica social para revelar os bastidores da paixão nacional

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O novo romance “Várzea”, lançado por Valdo Resende no último sábado em São Paulo, olha para o futebol brasileiro de um jeito que pouca gente ousa encarar: como palco de disputas políticas, manipulações eleitorais e jogos de poder que atravessam gerações. A narrativa, ambientada na fictícia Guabiru, no interior paulista, parte da simplicidade da várzea para reconstruir o país em plena redemocratização e sob o imaginário mágico da Seleção de 1982.

Resende acompanha Olympio, técnico e leiloeiro que celebra um título regional sem imaginar que, a partir dali, se tornará peça de tabuleiro em uma guerra silenciosa entre grupos políticos locais. O sonho de erguer um estádio, idealizado com sua esposa e sustentado pelo amor ao time, vira moeda de troca em campanhas eleitorais. A partir dessa fricção, o autor projeta questões maiores: como a paixão pelo futebol molda decisões coletivas? Até que ponto os símbolos do esporte servem, também, a interesses que passam longe das quatro linhas?

O romance costura humor, crítica social e uma observação afiada sobre o Brasil do interior. As referências a Garrincha, à cultura popular e ao clima emocional da Copa da Espanha reforçam o espírito de um país que se reinventava politicamente, mas ainda carregava práticas antigas. Guabiru, ainda que imaginária, nasce como um espelho de memórias compartilhadas a ponto de leitores e artistas que participaram do lançamento destacarem a força desse retrato do “Brasil profundo”.

Ao longo das 320 páginas, Resende revisita temas que marcam sua trajetória no teatro e na literatura: personagens comuns que revelam tensões sociais, ambientes que parecem pequenos mas explicam estruturas maiores, e o uso da sátira como caminho para pensar o país sem perder o sorriso. Ele mesmo resume o desafio: o futebol não é o tema central, mas o fio que expõe como sentimentos coletivos podem ser manipulados com facilidade quando o Brasil entra em campo.

“Várzea” chega às livrarias como um romance que atravessa fronteiras do esporte, passeando por política, memória afetiva, e ficção. Com leveza e ironia, convida o leitor a revisitar não apenas o passado, mas o modo como ainda nos relacionamos com o jogo e com o poder.

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Eventos

Lei de Incentivo ao Esporte se torna permanente e redefine o financiamento esportivo no Brasil

O que muda com o novo marco sancionado por Lula, e por que isso impacta crianças, atletas e projetos sociais em todo o país?

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A Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) deixou de ser uma política temporária para se tornar parte estruturante do financiamento esportivo brasileiro. A sanção do presidente Lula do PLP 234/2024, nesta quarta-feira (26), no Palácio do Planalto, marca um novo capítulo para projetos que dependem de renúncia fiscal para existir – sendo muitos deles voltados à iniciação esportiva, inclusão social e formação de atletas.

Com a mudança, a política passa a operar de forma contínua. Isso significa planejamento de longo prazo, maior segurança para entidades e uma relação mais clara entre governos, empresas e sociedade civil na gestão dos recursos. É um avanço institucional raro num país em que iniciativas esportivas costumam oscilar a cada ciclo político.

Uma política mais estável e abrangente

A nova legislação atualiza regras, simplifica processos e amplia o alcance dos projetos que podem ser apoiados. A partir de 2028, empresas poderão deduzir até 3% do IR. Além disso, projetos de inclusão social seguem autorizados a alcançar 4%. Pessoas físicas poderão deduzir até 7%.

Esse redesenho coloca a LIE num patamar mais moderno, com critérios objetivos para apresentação, aprovação e prestação de contas. É uma tentativa de dar clareza e previsibilidade a um mecanismo que vinha crescendo, mas ainda sofria com burocracia e limitações legais.

Impacto direto na base e no rendimento

O ministro do Esporte, André Fufuca, destacou que a política já beneficiou mais de 3 milhões de pessoas e movimentou R$ 2,5 bilhões em recursos desde 2023. O caráter permanente fortalece especialmente os projetos de base; onde o esporte funciona como ferramenta de educação, proteção social e descoberta de talentos.

É nesse ponto que a sanção se torna mais simbólica: ela dá às crianças, jovens e atletas de regiões periféricas a chance de participar de iniciativas que antes dependiam de captação instável, quando conseguiam sair do papel.

Modernização e controle

A lei revisada também aprimora mecanismos de transparência, acompanhamento e responsabilização, dois gargalos apontados por entidades e órgãos de controle. O objetivo é garantir que os recursos cheguem de fato a ações efetivas, e não se percam em projetos pouco consistentes.

Ao mesmo tempo, a simplificação das etapas promete facilitar a vida de escolas, ONGs e clubes que trabalham no cotidiano, muitas vezes com estruturas mínimas, mas enorme impacto social.

O próximo passo: transformar norma em prática

Com a sanção, o texto segue para publicação no Diário Oficial e entra em fase de regulamentação. É quando decretos e regras específicas vão definir como a política será aplicada no dia a dia. Se essa etapa for bem executada, o Brasil terá um dos sistemas de incentivo ao esporte mais organizados da América Latina.

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Na vida

Jornalista baiano alcança destaque nacional no Concurso do Museu do Futebol 2025

Memória afetiva de um estádio no interior da Bahia levou Dudu Machado ao Top 5 entre mais de 760 textos

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O jornalista Dudu Machado, de Feira de Santana, colocou a literatura baiana em destaque ao conquistar o 4º lugar no Concurso de Crônicas e Contos do Museu do Futebol 2025, anunciado na última terça-feira (25). A edição, dedicada ao tema “Futebol Sul-Americano”, recebeu mais de 760 textos vindos de autores de diferentes países e em dois idiomas — um retrato da diversidade cultural que sustenta o imaginário do continente.

A crônica premiada, “A América cabe no meu quintal”, revisita o tradicional Estádio Joia da Princesa, palco que marcou a relação do autor com o Fluminense de Feira. No texto, Dudu Machado reconstrói lembranças de arquibancada a partir de um reencontro com o estádio ao lado de um amigo uruguaio: encontro que se transforma num diálogo simbólico entre a identidade do interior da Bahia e a mística que envolve o futebol sul-americano.

“Estar entre os 20 vencedores desse concurso é uma honra, ser o 4º colocado é motivo de muito orgulho. Sonho realizado, feliz por levar o nome da minha cidade para o Brasil.”

resultado destaca a força das narrativas regionais e revela como histórias aparentemente locais podem ecoar de forma universal quando atravessadas pela cultura do futebol. A comissão julgadora reuniu nomes de diferentes frentes do esporte e da literatura: o jornalista Klaus Richmond (Revista Placar), a escritora Luiza Romão, o historiador Matias Pinto e a gestora cultural Renata Beltrão, responsável pela organização do concurso.

Para ler a crônica “A América cabe no meu quintal”, de Dudu Machado, basta clicar aqui

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