André Miranda não separa o atleta do educador. Aos 38 anos, o baiano conhecido no mundo da luta como André Monstro voltou ao topo do MMA nacional ao vencer a principal luta do Jungle Fight 142, no último sábado (22), no Rio de Janeiro. A vitória ampliou seu cartel profissional para 14 triunfos e recolocou seu nome entre os destaques da modalidade na América Latina.
Mas o impacto de André vai além do octógono. Campeão em um dos maiores eventos de MMA do continente, ele é também instrutor da Academia Salvador, projeto público que oferece atividades físicas gratuitas em diversos pontos da cidade. Atualmente, André ministra aulas de boxe e muay thai nas unidades do Dique do Tororó e do Imbuí, conectando o esporte de alto rendimento ao cotidiano da população.
A trajetória que hoje inspira alunos começou cedo. André iniciou no karatê aos 6 anos, passou pelo futebol na adolescência (chegando a defender o Ypiranga), até assumir de vez a luta como caminho. Estreou profissionalmente no MMA em 2017 e, dois anos depois, conquistou o cinturão do Jungle Fight. A experiência acumulada ao longo de quase uma década molda a metodologia aplicada nas aulas públicas.
Nos treinos, o foco vai além do condicionamento físico. As atividades trabalham técnica, coordenação, defesa pessoal, disciplina e convivência, elementos que tornam as turmas disputadas e diversas. Alunos de diferentes idades dividem o espaço, atraídos por uma abordagem dinâmica, segura e acessível.
André define o MMA como uma síntese de saberes: judô, jiu-jitsu, muay thai, boxe, wrestling e karatê. Ele leva essa visão integrada para as aulas e o resultado aparece tanto na adesão quanto na permanência dos alunos, que encontram no esporte uma ferramenta real de saúde e bem-estar.
Para a Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), a presença de um campeão do Jungle Fight nas academias públicas fortalece a proposta de democratização do esporte. O secretário Júnior Magalhães destaca que iniciativas como a Academia Salvador ampliam o acesso gratuito à atividade física e consolidam o lazer como política pública estruturante.
Na prática, os efeitos são percebidos no dia a dia de quem frequenta as aulas. A fisioterapeuta Elisabete Andrade, moradora da Boca do Rio, treina boxe há um ano no Imbuí e aponta evolução técnica, motivação e um ambiente acolhedor. Já a confeiteira Riane Oliveira, do Cabula, encontrou no boxe uma nova forma de se desafiar fisicamente após anos na musculação, destacando a atenção do professor à técnica e à segurança.
O projeto Academia Salvador conta atualmente com 14 unidades espalhadas pela cidade, oferecendo musculação e aulas coletivas gratuitas, como boxe, yoga, pilates e muay thai. Mais do que espaços de treino, as academias funcionam como pontos de encontro, cuidado e inclusão.