O Santos anunciou neste sábado o retorno de Gabigol, atacante revelado pelas categorias de base do clube, que chega por empréstimo de um ano após passagem pelo Cruzeiro. Aos 29 anos, o jogador volta à Vila Belmiro em um movimento que combina memória esportiva, necessidade técnica e equilíbrio financeiro, três elementos centrais do atual momento santista.
A negociação vinha sendo costurada desde o fim da última temporada e avançou principalmente pela vontade do próprio atleta em voltar ao clube onde iniciou a carreira. No Cruzeiro, Gabigol perdeu espaço com a chegada do técnico Tite, cenário que praticamente inviabilizou sua permanência. Com salário acima de R$ 2,5 milhões, o atacante também se tornou um desafio financeiro para a Raposa.
O Santos entrou na conversa impondo uma condição clara: divisão de salários. A diretoria tenta manter o controle das contas em 2026 e vê no empréstimo uma alternativa para reforçar o elenco sem comprometer o planejamento. A saída de jogadores, como o atacante Guilherme — próximo de ser negociado com o futebol norte-americano —, faz parte dessa equação.
O retorno de Gabigol acontece poucos dias após o clube confirmar a renovação de Neymar até o fim da temporada. O reencontro dos dois carrega simbolismo, mas também expectativas esportivas. Curiosamente, eles atuaram juntos apenas uma vez pelo Santos, em 2013, na despedida de Neymar rumo ao Barcelona e na estreia de Gabigol como profissional.
Dentro de campo, o atacante reencontra um ambiente conhecido. Pelo Santos, disputou 210 partidas, marcou 84 gols e conquistou dois Campeonatos Paulistas. Desde então, construiu uma trajetória marcante no Flamengo, onde se tornou ídolo, acumulou títulos nacionais e continentais e consolidou seu nome como um dos atacantes mais decisivos do futebol brasileiro na última década.
A passagem mais recente pelo Cruzeiro, no entanto, foi irregular. Foram 49 jogos, 13 gols e quatro assistências, números que não sustentaram a condição de titular sob o comando de Leonardo Jardim. A escolha por Kaio Jorge evidenciou a perda de protagonismo do camisa 9. No Santos, Gabigol terá a chance de recomeçar em um ambiente afetivo, mas também de responder a questionamentos técnicos e físicos.