O Santos reencontrou o bom futebol e o apoio da torcida na Vila Belmiro. Em um dos melhores desempenhos da temporada, o time comandado por Juan Pablo Vojvoda venceu o Corinthians por 3 a 1, em jogo válido pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, e deu um passo importante para se afastar da zona de rebaixamento.
O Peixe teve 45 minutos de manual: dominou completamente o rival, impôs intensidade e abriu vantagem com gols de Zé Rafael, Barreal — que marcou um golaço — e Rollheiser, de pênalti. O Corinthians descontou com Raniele, mas pouco ameaçou. Foram 13 finalizações do Santos contra apenas uma do Timão, um retrato fiel da superioridade alvinegra.
O resultado levou o Santos a 31 pontos, encurtando a diferença para o próprio Corinthians (33). A equipe agora tem seis pontos de folga para o Z-4 e volta a respirar no campeonato. O próximo desafio é contra o Vitória na segunda-feira (20), às 21h30, novamente na Vila Belmiro.
TORCEDOR DE LUXO
O jogo ainda teve um visitante ilustre: Neymar, que se recupera de lesão, acompanhou o clássico em um camarote ao lado da filha, Mavie, e recebeu o carinho dos torcedores antes do apito inicial.
A qualidade dos gramados deve entrar na pauta da CBF com os clubes já em outubro, dentro de um pacote de mudanças estruturais para o Campeonato Brasileiro. Segundo os jornalistas Igor Siqueira e Rodrigo Mattos, do UOL, a entidade pretende aprofundar a discussão sobre as condições dos campos, mas ainda não existe proposta oficial para proibir os gramados sintéticos.
O debate ganha força em um momento em que cinco clubes da Série A utilizam superfícies artificiais: Athletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras. O caso do Athletico chama atenção porque o clube instalou um novo sintético na Ligga Arena em julho, depois de quase uma década utilizando esse tipo de piso.
O problema é o sintético ou a qualidade?
A discussão não deve ser reduzida à preferência entre grama natural e artificial. O próprio cenário brasileiro mostra que gramados naturais também enfrentam problemas recorrentes. O Maracanã, por exemplo, voltou a ser alvo de críticas nesta temporada, reacendendo o debate sobre a necessidade de priorizar a qualidade da superfície independentemente do modelo utilizado.
A CBF trabalha com a ideia de elevar o padrão de infraestrutura dos estádios e tornar mais rigoroso o controle sobre os gramados. A questão envolve critérios como dimensões, corte, irrigação e manutenção, que já aparecem em regulamentos, mas cuja fiscalização é apontada como insuficiente.
O tema também envolve diferentes interesses. Jogadores como Neymar já fizeram críticas ao sintético, enquanto dirigentes defendem que uma superfície artificial bem mantida pode ser alternativa mais adequada do que um campo natural em más condições. O ponto central, portanto, tende a ser menos a tecnologia utilizada e mais a garantia de um campo seguro e de qualidade.
Fotos: Vitor Silva | Botafogo F. R.
E o futebol baiano?
Para Bahia e Vitória, a discussão terá reflexos ainda nesta temporada. O Bahia ainda enfrenta Palmeiras e Botafogo fora de casa, ambos em estádios com gramados sintéticos. Já o Vitória terá apenas partidas em campos naturais até o fim do Brasileirão.
A reunião de outubro deve ser apenas o início de um processo. Antes de qualquer eventual restrição, a CBF terá de apresentar critérios técnicos e discutir com os clubes como estabelecer um padrão nacional. A questão é complexa porque envolve investimentos recentes, características distintas dos estádios e, principalmente, a necessidade de garantir condições adequadas para o futebol brasileiro.
O Bahia voltou a vencer no Campeonato Brasileiro. Nesta segunda-feira (14), o Tricolor derrotou o Remo por 2 a 1, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, pela 27ª rodada, encerrou um jejum contra o adversário e retornou ao G-4 da competição.
A equipe de Rogério Ceni controlou o primeiro tempo e aproveitou uma falha na saída de bola para abrir o placar. Aos 19 minutos, Tchamba perdeu a bola, Kike Oliveira avançou e cruzou rasteiro para Jean Lucas finalizar. O domínio do Bahia também apareceu nos números: foram nove finalizações contra apenas duas do Remo na etapa inicial.
O cenário mudou um pouco depois do intervalo. As três substituições feitas por Léo Condé deram mais presença ofensiva ao Remo, que passou a equilibrar a posse de bola. O Bahia, porém, continuou mais perigoso e encontrou o segundo gol aos 43 minutos, quando Matheus Felipe cometeu pênalti. Luciano Juba cobrou e ampliou.
O Remo ainda diminuiu aos 50 minutos, também de pênalti, com Vitor Bueno, mas já não havia tempo para buscar o empate.
Bahia volta ao grupo da Libertadores
Com a vitória, o Bahia chega aos 46 pontos e ocupa novamente o G-4, grupo que garante vaga direta na Libertadores. O resultado também encerra uma sequência de três jogos sem vencer o Remo, incluindo a eliminação na Copa do Brasil.
O próximo desafio será justamente longe de Salvador. O Tricolor visita o Athletico-PR no domingo (20), às 19h30, na Arena da Baixada. Para permanecer entre os primeiros, o Bahia terá pela frente um adversário que também utiliza gramado sintético e uma partida que pode testar a capacidade do time de sustentar o ritmo na reta decisiva do campeonato.
O Vitória encerrou uma sequência de quatro derrotas consecutivas ao vencer o Grêmio por 1 a 0, nesta segunda-feira, no Barradão, pelo fechamento da 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol de Renê, no segundo tempo, devolveu ao Rubro-Negro um pouco de tranquilidade na luta contra o rebaixamento.
O time baiano teve mais posse de bola durante boa parte da partida e criou as principais oportunidades no primeiro tempo, com Erick, Matheuzinho e Renê. O Grêmio também ameaçou nos contra-ataques e parou em boas defesas de Lucas Arcanjo. A equipe gaúcha ainda teve um gol de Carlos Vinícius anulado por impedimento.
Na etapa final, o jogo ficou mais truncado. O Vitória continuou controlando mais a bola, mas encontrou dificuldades para criar pelo chão. A solução veio aos 17 minutos, quando Matheus Silva cobrou escanteio e Renê apareceu para cabecear e abrir o placar.
Depois do gol, o Grêmio aumentou a posse e pressionou nos minutos finais, mas não conseguiu transformar o domínio em grandes oportunidades. Lucas Arcanjo evitou o empate nos acréscimos, enquanto Kayzer desperdiçou duas chances para definir a partida.
Vitória respira, mas ainda precisa pontuar
O resultado leva o Vitória aos 32 pontos e à 11ª posição, cinco pontos acima do Vasco, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. O Grêmio permanece em 15º, com 28 pontos.
A partida também ficou marcada pela reclamação gremista com a arbitragem. O clube pediu a expulsão de Caíque Gonçalves após o volante atingir Noriega com o braço no início do segundo tempo. O jogador recebeu apenas cartão amarelo.
Mais importante para o Vitória, porém, foi interromper a sequência negativa. A vitória no Barradão não resolve a disputa contra o Z-4, mas muda o ambiente e oferece ao time baiano uma margem maior para trabalhar nas próximas rodadas.