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Nas pistas

“2DIE4 – 24 Horas no Limite” promete ser o filme de corrida mais autêntico do cinema

Obra mostra trajetória do piloto Felipe Nasr durante a corrida das 24 horas de Le Mans, na França

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O cinema brasileiro volta os olhos para o automobilismo com uma proposta pouco comum: transformar a experiência real de uma corrida em narrativa cinematográfica. “2DIE4: 24 Horas no Limite”, dirigido pelos irmãos André Abdala e Salomão Abdala, chega com a ambição de ser o filme de corrida mais autêntico já produzido no país.

A escolha por Felipe Nasr como protagonista reforça esse caminho. Em vez de um ator, o longa aposta em um piloto profissional vivendo a própria realidade nas pistas. O enredo acompanha sua participação nas tradicionais 24 Horas de Le Mans, uma das provas mais exigentes do automobilismo mundial, marcada pela resistência física e mental ao longo de um dia inteiro de competição.

A produção também chama atenção pelo formato. Com uma equipe reduzida, de apenas oito pessoas, o filme foi rodado com tecnologia de alto padrão e será o primeiro longa brasileiro exibido em IMAX. A proposta é simples na ideia, mas complexa na execução: colocar o espectador dentro do carro, próximo das decisões, da pressão e do desgaste que não aparecem nas transmissões convencionais.

Esse tipo de abordagem dialoga com uma mudança recente no consumo de esporte. O público não quer apenas o resultado, mas entender o processo, o que aproxima projetos como “2DIE4” de documentários esportivos que exploram bastidores e trajetórias.

Ao mesmo tempo, o filme levanta uma questão importante: até que ponto o realismo pode substituir a construção dramática tradicional do cinema? Ao abrir mão de atores e apostar na experiência crua, a obra assume o risco de ser mais técnica do que emocional para parte do público.

Ainda assim, o reconhecimento internacional, com o prêmio máximo no Motor Sports Film Award 2025, indica que há espaço para esse tipo de narrativa. Mais do que contar uma história, “2DIE4” tenta traduzir sensações: cansaço, foco e limite.

Nas pistas

Delegação baiana de BMX conquista 30 medalhas na Copa Nordeste

Resultados em Recife refletem o crescimento do BMX na Bahia e a formação de novos talentos

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A Bahia voltou a aparecer com força no BMX Racing. Na Copa Nordeste 2026, disputada em Recife, a delegação baiana conquistou 30 medalhas e subiu ao pódio 56 vezes, resultado que vai além dos números e ajuda a consolidar o estado no cenário competitivo da modalidade.

Com participação em todas as 41 categorias da competição, os baianos somaram pontos importantes no ranking nacional. O desempenho ganha peso justamente por acontecer em uma prova que reúne os principais nomes da região e funciona como termômetro técnico para a temporada.

Mas o resultado também expõe um movimento mais amplo. A presença da maior delegação do evento, com atletas da capital e do interior, indica um crescimento estruturado, que passa pela base e pela ampliação do acesso ao esporte.

Nesse contexto, projetos de formação têm papel central. Iniciativas como o Projeto Pedal vêm revelando novos nomes e ampliando o alcance do BMX no estado. Atletas como Yasmin Barbosa e Ana Clara já surgem como promessas, mostrando que o investimento na iniciação começa a gerar retorno dentro das pistas.

Ao mesmo tempo, o desempenho em Recife reforça um ponto recorrente no esporte baiano: a importância de garantir presença em competições. Estar no circuito, competir com frequência e pontuar no ranking são etapas essenciais para transformar potencial em resultado.

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Artigos

Kart: o mercado de R$ 1 bilhão que o Brasil ainda não enxerga

Por que um mercado consolidado segue invisível e o que falta para transformar pilotos em ativos no esporte?

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por Geraldo Affonso Ferreira*

Existe um mercado bilionário no Brasil que, apesar de sua escala, ainda não é tratado como indústria. O kart, tradicional porta de entrada do automobilismo, movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no País, forma pilotos e envolve milhares de famílias – mas segue fora do radar do capital institucional.

Essa cifra, pouco conhecida fora do próprio ecossistema, é sustentada por uma base de cerca de 2.800 pilotos filiados à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). O investimento anual por piloto pode variar de R$ 120 mil a mais de R$ 500 mil, dependendo do nível competitivo. Trata-se de um fluxo relevante de recursos que se distribui por uma cadeia ampla e recorrente, que inclui pneus, motores, chassis, equipes, logística e inscrições.

Diferentemente de outros esportes estruturados por direitos de mídia, o kart brasileiro é financiado quase integralmente pelas famílias dos pilotos. Isso cria um mercado resiliente, com receita recorrente e baixa dependência de ciclos externos. Ao mesmo tempo, essa característica ajuda a explicar por que o setor permanece invisível para investidores: ele cresce de forma orgânica, mas sem estrutura.

O principal desafio não é falta de escala, é falta de organização.

Hoje, não existem métricas amplamente aceitas sobre o tamanho do mercado, o perfil de consumo, o retorno para patrocinadores ou mesmo a cadeia completa de fornecedores. Sem dados e sem governança, o kart não é percebido como uma indústria, apesar de já operar como uma.

Quando olhamos para os principais campeonatos nacionais, essa dinâmica se torna ainda mais clara. O Campeonato Brasileiro de Kart, por exemplo, já superou 650 inscrições em uma única edição, com forte presença de categorias de entrada, mas também com participação relevante de pilotos adultos, especialmente nas categorias sênior e master. Isso revela um duplo motor econômico: de um lado, a formação contínua de novos talentos; de outro, uma base consolidada de praticantes com maior poder aquisitivo, responsável por grande parte do consumo recorrente.

Na prática, o kart brasileiro combina duas dimensões que raramente coexistem com tanta força: ele é, ao mesmo tempo, um funil de formação esportiva e um mercado estruturado de lazer de alto padrão. Essa combinação, por si só, já deveria colocá-lo no radar do capital.

Mas há uma questão ainda mais relevante: o potencial de transformar o piloto em um ativo.

Hoje, o investimento no kart é, majoritariamente, um custo assumido pelas famílias, sem uma estrutura que permita capturar valor ao longo do tempo. Não há mecanismos consolidados de acompanhamento de performance, de projeção de carreira ou de mensuração de retorno para quem investe. Com isso, perde-se a oportunidade de enxergar o piloto como um ativo em desenvolvimento, algo que é a realidade de outros esportes.

À medida que o setor se organiza, esse cenário pode mudar. Quando você cria método, padronização e métricas, passa a ser possível acompanhar a evolução de um piloto, entender seu potencial, estruturar sua trajetória e, principalmente, conectar essa jornada a investidores e marcas. O piloto deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo com potencial de valorização ao longo da carreira.

Isso abre espaço para novos modelos. Desde aportes privados na formação de talentos até estruturas mais sofisticadas, semelhantes a fundos de investimento em atletas, passando por contratos de longo prazo com patrocinadores que entram mais cedo na jornada. Mas, para que isso aconteça, é preciso resolver o problema central: organização.

Foi a partir dessa leitura que começaram a surgir iniciativas para trazer governança, método e organização para a formação de pilotos no País. Além de preparar atletas, precisamos desenvolver métricas, padronizar processos, estruturar jornadas e transformar um ecossistema hoje fragmentado em um mercado mais compreensível e acessível ao capital. Em outras palavras, criar as condições para que o kart deixe de ser apenas um conjunto de iniciativas isoladas e passe a ser reconhecido como uma cadeia econômica organizada.

O kart brasileiro já tem escala, recorrência e uma base ativa altamente engajada. É importante destacar que entidades como a CBA cumprem um papel fundamental na organização esportiva e regulatória do kart no Brasil. O desafio que se coloca agora não é regulatório, mas estrutural e econômico: como criar um ambiente que permita maior previsibilidade, transparência e atração de capital para um mercado que já possui escala relevante

E, na história dos negócios, são justamente esses momentos — em que um mercado já existe, mas ainda não está organizado — que costumam concentrar as maiores oportunidades.

* Geraldo Affonso Ferreira, epecializado em governança corporativa, Geraldo Affonso Ferreira foi executivo de multinacionais do setor de papel e celulose por 30 anos. É criador da Motori Brasil, organização da sociedade civil que tem como objetivo profissionalizar a formação de pilotos a partir do Kart.

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Nas pistas

Pedal da Cidade transforma aniversário de Salvador em ato coletivo de esporte e ocupação urbana

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Nem a chuva afastou quem decidiu celebrar os 477 anos de Salvador de forma ativa. O Pedal da Cidade reuniu ciclistas de diferentes perfis na orla, em um percurso de 16 quilômetros entre a Boca do Rio e Amaralina, reforçando uma tendência que vai além do lazer: a reocupação dos espaços urbanos por meio do esporte.

O evento, promovido pela Prefeitura, integrou a programação do aniversário da capital e evidenciou como iniciativas simples podem estimular hábitos mais saudáveis. Mais do que um passeio, o pedal se consolidou como um convite à mobilidade alternativa em uma cidade historicamente marcada pela dependência do transporte motorizado.

A adesão mesmo sob tempo instável revela um dado importante: há demanda reprimida por atividades ao ar livre que sejam acessíveis e coletivas. A presença de bicicletas compartilhadas, por exemplo, ampliou o alcance da ação e reduziu barreiras de entrada, que é um ponto-chave para democratizar o ciclismo urbano.

Outro aspecto relevante foi o caráter solidário. A arrecadação de alimentos adiciona uma camada social ao evento, conectando esporte e cidadania. Esse tipo de iniciativa amplia o impacto e reforça o papel do esporte como ferramenta de transformação.

Ainda assim, o desafio permanece. Eventos pontuais mostram o potencial, mas a consolidação de uma cultura ciclística em Salvador depende de políticas contínuas: infraestrutura segura, integração com o transporte público e estímulo permanente ao uso da bicicleta no dia a dia.

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