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Na vida

Copa do Mundo transforma salas de aula e reforça papel do esporte na educação

Torneio vira ferramenta pedagógica para discutir cultura, diversidade, convivência e hábitos saudáveis

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Falta um mês para a Copa do Mundo, mas o clima do torneio já começou a mexer com a rotina de milhões de brasileiros. Bandeiras nas ruas, conversas sobre seleções e expectativas em torno dos jogos mostram que o futebol segue ocupando um espaço importante na cultura do país. Dentro das escolas, esse movimento também ganha força como entretenimento e oportunidade de aprendizado.

Educadores têm usado a Copa como ferramenta para aproximar os alunos de temas ligados à geografia, história, matemática, idiomas e diversidade cultural, transformando um assunto popular em experiência pedagógica mais dinâmica e conectada ao cotidiano dos estudantes.

Neste ano, o Mundial será disputado em Canadá, Estados Unidos e México, ampliando ainda mais as possibilidades de discussão em sala de aula. Para professores, o torneio ajuda crianças e adolescentes a conhecerem novos países, culturas e formas de viver, além de estimular valores como convivência, respeito e trabalho coletivo.

Na Bahia, onde o futebol faz parte da identidade popular e atravessa gerações, a relação entre esporte e educação ganha ainda mais significado. Em bairros, escolas e projetos sociais, o esporte frequentemente funciona como ponto de encontro entre aprendizado, disciplina e inclusão social.

Especialistas destacam que a Copa pode ser uma porta de entrada para fortalecer o interesse das crianças por práticas esportivas em um cenário marcado pelo aumento do sedentarismo e pelo excesso de telas. Mais do que formar atletas, a atividade física contribui para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social dos estudantes.

“Essa mobilização coletiva desperta um forte senso de pertencimento, identidade nacional e celebração. Muitas vezes, é nesse contexto que surgem as primeiras lembranças relacionadas ao esporte, à torcida e ao sentimento de coletividade”, afirma a professora de educação física da Escola Bilíngue Aubrick, Andrea de Luca.

Em matemática, por exemplo, tabelas, estatísticas e probabilidades ajudam no raciocínio lógico. Em geografia, os alunos exploram mapas, idiomas e características culturais das seleções participantes. Já em história e língua portuguesa, o torneio serve de base para pesquisas, debates e produções textuais.

Na educação infantil, o evento também ganha espaço de maneira lúdica. Bandeiras, músicas, mascotes e brincadeiras estimulam criatividade, interação social e curiosidade cultural. O objetivo é transformar a paixão popular pelo futebol em ferramenta de construção de conhecimento. Ao mesmo tempo, educadores alertam para a necessidade de combater estereótipos e manifestações xenofóbicas durante essas discussões. A Copa deve servir para ensinar respeito às diferenças e compreensão sobre outras culturas.

Na vida

Ariel Palacios lança “Futebol Lado B” e transforma o jogo em retrato da sociedade

Novo livro do jornalista argentino mergulha nas histórias improváveis, políticas e humanas do futebol mundial

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O futebol como paixão popular, disputa simbólica, ferramenta política e espelho social. É desse ponto de partida que o jornalista Ariel Palacios constrói Futebol Lado B, obra que chega às livrarias em maio propondo um olhar menos óbvio sobre o esporte mais consumido do planeta.

Conhecido pela abordagem analítica e bem-humorada em livros e reportagens sobre a América Latina, Ariel agora desloca o foco para histórias curiosas, absurdas e pouco conhecidas do universo do futebol. Mas o objetivo vai além do entretenimento. O livro usa episódios inusitados para discutir comportamento, memória coletiva, identidade e até intolerâncias sociais.

A proposta conversa diretamente com uma percepção cada vez mais presente no jornalismo esportivo contemporâneo: o futebol não pode mais ser analisado apenas pelo resultado de campo. Ao longo dos anos, o esporte se consolidou como um fenômeno cultural capaz de influenciar debates políticos, econômicos e sociais.

É justamente nesse território que Ariel parece mais confortável. Em vez de apostar na nostalgia fácil ou em listas de craques históricos, o autor mergulha nas contradições que cercam o futebol: da idolatria às superstições, das rivalidades nacionais aos exageros emocionais da torcida.

A escolha do título “lado B” ajuda a resumir a proposta. O livro tenta iluminar aquilo que normalmente fica fora dos holofotes: personagens esquecidos, episódios improváveis e situações que revelam como o futebol muitas vezes funciona como extensão da própria sociedade.

A obra também reforça um movimento crescente no mercado editorial esportivo brasileiro. Nos últimos anos, livros sobre futebol passaram a dialogar mais com história, política, comportamento e cultura pop, ampliando o interesse para além do torcedor tradicional.

Com prefácio de Marcelo Barreto, posfácio de André Rizek e texto de orelha assinado por Walter Casagrande, “Futebol lado B” chega respaldado por nomes influentes do jornalismo esportivo nacional.

Para o leitor baiano, acostumado a enxergar o futebol como elemento de identidade cultural e social, a obra dialoga com uma percepção familiar: a de que o esporte nunca foi apenas um jogo.

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Na vida

Livro de Raquel Castanharo propõe nova forma de entender a corrida e desmonta mitos do esporte

O que a ciência diz sobre correr e por que o corpo pode ir além do que se imagina?

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A corrida, uma das práticas esportivas mais populares do mundo, ainda é cercada por dúvidas, fórmulas prontas e crenças pouco fundamentadas. É nesse cenário que a fisioterapeuta e maratonista Raquel Castanharo lança o livro Este livro não é só sobre corrida, uma obra que busca aproximar ciência e prática de forma acessível.

Publicado pela Editora Planeta Brasil, o livro se apresenta como um manual completo, mas vai além do aspecto técnico. A proposta é questionar padrões e provocar uma reflexão sobre o próprio corpo, tratando a corrida não apenas como exercício, mas como uma experiência de autoconhecimento.

Com base em estudos de biomecânica e na prática clínica, a autora responde dúvidas comuns de quem corre ou quer começar. Temas como postura, tipo de pisada, escolha de tênis, respiração e prevenção de lesões aparecem com explicações diretas, sem recorrer a fórmulas universais.

Um dos pontos centrais da obra é a ideia de que o corpo humano é adaptável e “antifrágil”, capaz de evoluir quando estimulado da forma correta. Nesse contexto, a corrida deixa de ser vista como uma atividade restrita a atletas ou a quem busca emagrecimento, e passa a ser entendida como ferramenta de saúde e longevidade.

“A Raquel fala hoje tudo o que eu gostaria de ter ouvido há, pelo menos, vinte anos. Como foi que nós – principalmente mulheres – crescemos achando que somos frágeis ou que exercício é só para quem quer emagrecer? Que sorte a nossa ter encontrado a voz dela a tempo”, diz Mari Krüger, bióloga, DJ e uma das principais divulgadoras científicas do Brasil

A publicação também dialoga com um público mais amplo, especialmente iniciantes, ao destacar três pilares para a criação do hábito: ambiente adequado, repetição e recompensa. A mensagem é clara: correr não depende apenas de desempenho, mas de consistência e contexto.

Ao mesmo tempo, o livro evita um discurso simplista. A própria autora reconhece que nem todos precisam correr, mas defende que todos deveriam ter acesso ao conhecimento sobre o movimento e suas possibilidades.

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Na vida

COI redefine regras e restringe participação feminina nos Jogos Olímpicos a critério genético

Nova política para Los Angeles 2028 exclui mulheres trans e parte das atletas intersexo

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O Comitê Olímpico Internacional anunciou uma mudança profunda nas regras de elegibilidade para as competições femininas. A partir dos Jogos de Los Angeles 2028, apenas atletas consideradas biologicamente mulheres, segundo um teste genético baseado no gene SRY, poderão disputar provas na categoria feminina.

A nova diretriz substitui o modelo anterior, que levava em conta níveis hormonais e princípios de inclusão. Agora, o critério passa a ser mais objetivo, e também mais restritivo. A presença do gene SRY, geralmente associada ao cromossomo Y, será suficiente para impedir a participação na categoria feminina, independentemente da identidade de gênero.

Na prática, a decisão impacta diretamente mulheres trans e atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), incluindo casos históricos no esporte. Nomes como Caster Semenya, que já enfrentou restrições em competições internacionais, ajudam a ilustrar um debate que está longe de ser novo, mas ganha agora contornos mais rígidos.

O COI argumenta que a mudança busca equilíbrio competitivo e segurança, especialmente em modalidades onde pequenas diferenças físicas podem ser determinantes. A presidente da entidade, Kirsty Coventry, defende que a decisão se apoia em evidências científicas e na necessidade de preservar a integridade das disputas.

Por outro lado, a medida reacende críticas sobre exclusão e falta de sensibilidade com trajetórias individuais. A brasileira Tifanny Abreu, pioneira como mulher trans no vôlei de alto rendimento, reagiu publicamente e classificou a decisão como parte de um movimento político mais amplo, apontando instabilidade nas regras e impactos diretos na vida dos atletas.

Outro caso recente que ajuda a dimensionar o tema é o da boxeadora argelina Imane Khelif, alvo de questionamentos e ataques durante competições internacionais, mesmo sendo campeã olímpica. Situações como essa expõem como o debate extrapola o campo esportivo e alcança questões sociais, científicas e políticas.

A nova política prevê ainda exceções raras, como casos de Síndrome de Insensibilidade Completa aos Andrógenos (CAIS), mas mantém o gene SRY como fator central. O teste será realizado uma única vez na carreira, com métodos considerados pouco invasivos.

Embora o COI destaque que a medida vale apenas para o alto rendimento, o impacto simbólico é amplo. O esporte olímpico, historicamente apresentado como espaço de diversidade e união, passa a lidar com um novo dilema: como equilibrar justiça competitiva e inclusão em um cenário cada vez mais complexo.

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