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Na vida

Técnico baiano comanda time de cidade futurista que ainda não existe na Arábia Saudita

Péricles Chamusca conquista acesso com o Neom SC e eleva projeto da megacidade que será construída até 2030

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O treinador baiano Péricles Chamusca alcançou um feito inusitado no futebol mundial: levar à elite da Arábia Saudita um time que representa uma cidade que ainda não saiu do papel. O Neom SC, clube ligado ao ambicioso projeto urbano futurista homônimo, venceu o Al-Arabi por 3 a 0 na última terça-feira e garantiu o acesso à primeira divisão saudita pela primeira vez em sua história.

Chamusca teve passagens com títulos marcantes pelo Vitória (campeão do Baianão 1995) e pelo Santo André (campeão da Copa do Brasil 2004), além de longa trajetória no Japão e no Oriente Médio, o Neom SC é uma peça estratégica do governo saudita dentro de um projeto bilionário. A cidade de Neom, planejada para ter 170 quilômetros de extensão linear, sem carros nem estradas, deve começar a sair do papel até o fim da década, com previsão de entrega parcial em 2030 e investimentos estimados em 500 bilhões de dólares — algo em torno de R$ 5 trilhões.

Péricles Chamusca já está adaptado à cultura saudita | Foto: Acervo Pessoal

Enquanto as estruturas urbanas não são erguidas no deserto, o Neom SC manda seus jogos na cidade vizinha de Tabuk. Fundado em 1965 sob o nome Al-Suqoor, o clube foi reformulado e rebatizado em 2023, passando a ser administrado pela companhia estatal que cuida do megaprojeto da cidade futurista. Desde então, o Neom SC passou a mirar alto — e com uma identidade que vai além do futebol, simbolizando uma vitrine internacional da nova Arábia Saudita.

Além do treinador soteropolitano, o elenco conta com outro nome brasileiro: o atacante Carlos Júnior, revelado pelo Atlético-MG. Na última temporada, o time também teve Romarinho, ex-Corinthians, que atualmente defende o Al Rayyan, do Catar.

Treinador trabalha no futebol da Arábia Saudita desde 2018 | Foto: Acervo Pessoal

A façanha coloca mais um marco na carreira de Chamusca, que entrou para a história do futebol brasileiro ao conquistar a Copa do Brasil de 2004 com o modesto Santo André, em pleno Maracanã, contra o Flamengo. Agora, ele lidera um projeto que une esporte, geopolítica e tecnologia — e coloca um pouco do talento baiano na vitrine do futuro.

Na vida

Projeto de capoeira tem 2.400 vagas disponíveis para aulas gratuitas em Salvador e interior do estado

Iniciativa da Sudesb amplia acesso à capoeira em Salvador e no interior, reforçando esporte, cultura e inclusão social

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A capoeira, uma das expressões mais potentes da identidade baiana, segue ocupando espaço como política pública de esporte e cultura no estado. O Núcleo de Esporte de Capoeira na Bahia (NUC) está com mais de 2.400 vagas gratuitas abertas para aulas regulares em 10 municípios, incluindo Salvador e cidades do interior.

Ativo desde julho de 2024, o projeto conta atualmente com 33 núcleos e é aberto a toda a população, inclusive Pessoas com Deficiência (PCD). As inscrições são presenciais, realizadas diretamente nos locais das aulas, mediante apresentação de documento oficial e comprovante de residência. A proposta é simples, mas estratégica: levar a capoeira para perto das comunidades, sem custo, e com regularidade.

Em Salvador, são 20 núcleos espalhados por bairros periféricos e tradicionais, como Liberdade, Cajazeiras, Castelo Branco, Nordeste de Amaralina, Ilha dos Frades, Ribeira e Uruguai. No interior, o projeto alcança cidades como Juazeiro, Vitória da Conquista, Irecê, Guanambi, Barreiras, Lauro de Freitas, Senhor do Bonfim e Camaçari, ampliando o alcance territorial da política esportiva.

Mais do que aulas, o NUC atua como ferramenta de preservação da capoeira enquanto patrimônio histórico e cultural, ao mesmo tempo em que promove atividade física, convivência social e formação cidadã. O edital de capoeira de 2025 prevê um investimento de R$ 3,4 milhões do Governo da Bahia, fortalecendo grupos e mestres já reconhecidos na modalidade.

Para o diretor-geral da Sudesb, Vicente Neto, o projeto simboliza uma visão ampliada de esporte. Ao integrar cultura, história e ancestralidade, a política pública deixa de olhar apenas para o rendimento e passa a valorizar o impacto social da prática, sobretudo em territórios onde o acesso ao esporte ainda é limitado.

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Na vida

Confira cinco livros sobre esportes para presentear e surpreender neste Natal

Do futebol de várzea à Fórmula 1, passando por biografias e romances sociais, obras que transformam o esporte em reflexão, memória e inspiração

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O Natal é tempo de pausa, encontro e afeto, e também de boas histórias. Para quem busca um presente que dialogue com esporte, cultura e humanidade, o Arena Livre lista alguns lançamentos recentes que ganharam manchete por aqui. São livros que usam o esporte como lente para falar de política, identidade, superação, fé, memória e futuro. A seguir, cinco sugestões que conversam com diferentes perfis de leitores e ajudam a transformar a data em experiência.

O futebol brasileiro aparece sob uma perspectiva rara em “Várzea”, novo romance de Valdo Resende. Ambientada na fictícia Guabiru, no interior paulista, a narrativa parte do campo de terra para expor os bastidores do poder local em plena redemocratização do país, sob o encanto quase místico da Seleção de 1982. Ao acompanhar Olympio, técnico e leiloeiro tragado por disputas políticas após um título regional, o livro questiona como a paixão pelo futebol pode ser instrumentalizada. É leitura ideal para quem gosta de enxergar o esporte como fenômeno social e político — com humor, crítica e memória coletiva.

Três décadas após a morte de Ayrton Senna, o jornalista italiano Nicola Santoro revisita um dos episódios mais traumáticos do esporte mundial em “O Caso Senna – Toda a Verdade sobre o Julgamento”. A edição atualizada recompõe o processo judicial de Ímola com documentos inéditos e análise rigorosa, expondo contradições técnicas e institucionais que atravessaram o caso. Mais do que recontar um julgamento, o livro convida o leitor a refletir sobre responsabilidade, justiça e os limites entre tecnologia, risco e espetáculo. Um presente potente para fãs de Fórmula 1 e do jornalismo investigativo.

“A Saga Cafu: O Grande Sonho”, escrita por Mariah Morais, aposta na emoção e na persistência como fios condutores. Da infância em Jardim Irene à eternidade como capitão do penta, a biografia resgata a trajetória do jogador que mais vestiu a camisa da Seleção Brasileira. O diferencial está no formato multimídia, com QR codes que ampliam a narrativa e aproximam o leitor do personagem por meio de vídeos e depoimentos. Uma boa escolha para quem valoriza histórias de origem humilde, disciplina e longevidade no alto rendimento.

A conexão entre esporte e desenvolvimento pessoal ganha destaque em “Bom Dia, Campeão”, assinado por Bremer em parceria com o especialista em treinamento mental Thiago Linhares. Com linguagem acessível, o livro mistura ciência esportiva, psicologia e espiritualidade para falar de performance, foco e resiliência. Ao compartilhar sua trajetória da Bahia ao topo do futebol europeu, o zagueiro reforça a importância do preparo emocional. É um presente certeiro para quem busca inspiração prática — dentro e fora do esporte.

Fechando a lista, o futebol volta como ferramenta de resistência em “O Canto de Laranjal”, romance de estreia de Felipe de Carvalho Araujo. Ambientada no interior da Bahia, a história acompanha jovens que veem no esporte uma saída possível diante da pobreza, da violência e da escassez. Narrado pelo olhar de um amigo, o livro trata de sonhos interrompidos, laços afetivos e escolhas difíceis, sem romantizar a dureza do caminho. Uma leitura sensível para quem acredita no esporte como espaço de disputa simbólica e esperança.

Presentear com leitura é, também, convidar alguém a olhar a vida por outros ângulos.

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Na vida

“Várzea”: romance de Valdo Resende revisita o Brasil profundo onde futebol e política se confundem

Escritor usa humor, memória e crítica social para revelar os bastidores da paixão nacional

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O novo romance “Várzea”, lançado por Valdo Resende no último sábado em São Paulo, olha para o futebol brasileiro de um jeito que pouca gente ousa encarar: como palco de disputas políticas, manipulações eleitorais e jogos de poder que atravessam gerações. A narrativa, ambientada na fictícia Guabiru, no interior paulista, parte da simplicidade da várzea para reconstruir o país em plena redemocratização e sob o imaginário mágico da Seleção de 1982.

Resende acompanha Olympio, técnico e leiloeiro que celebra um título regional sem imaginar que, a partir dali, se tornará peça de tabuleiro em uma guerra silenciosa entre grupos políticos locais. O sonho de erguer um estádio, idealizado com sua esposa e sustentado pelo amor ao time, vira moeda de troca em campanhas eleitorais. A partir dessa fricção, o autor projeta questões maiores: como a paixão pelo futebol molda decisões coletivas? Até que ponto os símbolos do esporte servem, também, a interesses que passam longe das quatro linhas?

O romance costura humor, crítica social e uma observação afiada sobre o Brasil do interior. As referências a Garrincha, à cultura popular e ao clima emocional da Copa da Espanha reforçam o espírito de um país que se reinventava politicamente, mas ainda carregava práticas antigas. Guabiru, ainda que imaginária, nasce como um espelho de memórias compartilhadas a ponto de leitores e artistas que participaram do lançamento destacarem a força desse retrato do “Brasil profundo”.

Ao longo das 320 páginas, Resende revisita temas que marcam sua trajetória no teatro e na literatura: personagens comuns que revelam tensões sociais, ambientes que parecem pequenos mas explicam estruturas maiores, e o uso da sátira como caminho para pensar o país sem perder o sorriso. Ele mesmo resume o desafio: o futebol não é o tema central, mas o fio que expõe como sentimentos coletivos podem ser manipulados com facilidade quando o Brasil entra em campo.

“Várzea” chega às livrarias como um romance que atravessa fronteiras do esporte, passeando por política, memória afetiva, e ficção. Com leveza e ironia, convida o leitor a revisitar não apenas o passado, mas o modo como ainda nos relacionamos com o jogo e com o poder.

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