O sucesso da terceira edição do Oceanman Brazil consolida Salvador como uma das principais sedes do maior circuito mundial amador de natação em águas abertas. No último sábado (29/03) e domingo (30/03), o evento reuniu 670 atletas, do Brasil e de cerca de 20 países, na disputa de cinco provas, que tiveram como base de chegada o Porto da Barra.
São 35 países que recebem as etapas seletivas para o Mundial, que acontecerá. em dezembro, em Dubai, no Emirados Árabes. Além de Salvador, onde o evento integrou a programação de aniversário da cidade, as provas serão realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro, no segundo semestre.
As provas principais foram disputadas na manhã de domingo. A Oceanman (10 km), com largada da Praia da Boa Viagem e chegada no Porto da Barra, foi vencida por Yuri Daiha, atleta do Yacht Club da Bahia, seguido por Luiz Reanato Topan, da Alvorada Barel, e Gustavo Ferreira, da Itabuna Natação. Já a categoria feminina teve como vencedora a tricampeã Victoria Beatriz Menezes, do Clube Petrobrás, seguida de Beatriz Nantes, da Bardu Swim Tean, e da pernambucana Juliana Coelho.
Já a prova masculina da Half Oceanman (5 km), com largada do Terminal Náutico e chegada no Porto da Barra, foi vencida por David Magalhães, da Arena Aquática, enquanto a feminina teve como vencedora a tricampeã Sinara Soares Pazos, do CTRA Singular Pharma. Os circuitos passaram por alguns pontos turísticos da orla de Salvador, como os fortes Santa Maria, São Diogo, São Marcelo e o Museu De Arte Moderna da Bahia.
Os troféus e as medalhas foram entregues por Andréa Mendonça, secretária do Mar de Salvador; Gegê Magalhães, diretor municipal de Turismo, Fermin Egídio, criador e detentor da marca Oceanman; Marcos Yano, da Vega Sport; Daniel Cansanção, CEO do evento no Brasil; e Beto Porciúncula, diretor do evento no Brasil.
O evento contou com a presença de medalhistas olímpicos, o baiano Edvaldo Valério (Sidney 2000) e da brasileira Poliana Okimoto (bronze Rio 2016) e embaixadora de Oceanman. Em Salvador, o circuito teve como destaque o belga Vincente Toulot, vencedor da categoria 60-69 anos do Half Ocean e do Sprint. O atleta, que já subiu 2000 vezes em podiuns pelo mundo, vai disputar todas as provas da temporada do Oceanman, em 2025.
“A cidade é muito privilegiada, com muitas histórias e pessoas receptivas, por isso estamos felizes em realizar uma terceira edição aqui. E para nós, aqui será realizada a quarta, quinta e para sempre o Oceanman será realizada nesta cidade que recebe o evento muito bem. A nossa meta é ter Salvador no podium mundial, divulgar a cidade o máximo possível”, afirma Fermin Egídio, criador da marca Oceanman.
Na abertura do evento, na manhã de sábado, o movimento também foi intenso na arena do evento, no Porto da Barra. Foram disputadas a prova infantil OceanKids (500m), a OceanTeams (500m), ambas com largada e chegada no Porto da Barra, e a Sprint (2 KM), com largada do Yacht Clube e chegada no Porto da Barra.
“Salvador está de parabéns em receber o Oceanman pela terceira vez no seu calendário de eventos esportivos. Estamos super felizes porque este tipo de iniciativa atrai outros eventos para a cidade. É importante também para divulgar a cidade no circuito mundial, porque quem conhece a Baía de Todos os Santos, com essa água maravilhosa, não esquece jamais”, comenta Andréa Mendonça. Secretária do Mar.
Além da natação em águas abertas, o Oceanman incentiva o turismo local, já que as famílias dos atletas acompanham as etapas pelo mundo e se hospedam em média por 5 dias no destino. A realização do Oceanman conta com a Prefeitura de Salvador junto com Saltur, Sempre e Secretaria do Mar. O evento tem o apoio do Shopping da Bahia, Ultrabar, Disk bananas, Hydrus, Farmô, Oliverde, Ultra cofee, Jungle, Du Pelô, Explosão do Açaí, Casa Esportiva, Hotel Vila Galé, Avatim e Dengo.
A nadadora Ana Marcela Cunha está prestes a enfrentar um dos desafios mais simbólicos das maratonas aquáticas mundiais. Entre os dias 20 e 29 de julho, a campeã olímpica tentará cruzar o Canal da Mancha, trajeto que liga Inglaterra e França e é considerado uma das provas mais exigentes da natação em águas abertas.
Além da dificuldade natural do percurso, a travessia pode colocar a baiana no Guinness World Records. Um representante da entidade acompanhará a tentativa dentro do barco oficial da equipe para validar de forma imediata um possível recorde feminino da prova.
Apesar da possibilidade histórica, Ana Marcela faz questão de afastar a pressão. A atleta afirma que o foco está na experiência e na conclusão da travessia, e não na busca por um tempo específico. O posicionamento revela a maturidade de uma atleta acostumada a competir em alto nível, como disse em entrevista ao portal Olimpíada Todo Dia.
“Quero fazer uma travessia muito mais pelo coração, de realização pessoal e profissional, do que ir para o recorde e me frustrar com aquilo”
Hoje, a melhor marca feminina do Canal da Mancha pertence à tcheca Yvetta Hlavácová, que completou o percurso em 7h25min, em 2006. O trajeto tem cerca de 34 quilômetros em condições ideais, mas a distância pode aumentar de acordo com o comportamento do mar.
Em um dos desafios da preparação, Ana Marcela nadou por 12 horas (no escuro) na Represa Billings, que fica em São Bernardo do Campo. O treino começou às 20h de sexta-feira e terminou às 8h de sábado, pausando apenas para se alimentar (confira no vídeo abaixo).
A travessia contará com uma estrutura de apoio formada por árbitro, videomaker, representante do Guinness, tripulação e pelo guia Igor de Souza, uma das principais referências brasileiras na prova. Ex-atleta de maratonas aquáticas, ele acumula experiência tanto como nadador quanto no acompanhamento de atletas que encaram o desafio.
Para a Bahia, a tentativa representa mais um capítulo da trajetória de uma das maiores atletas da história do nosso esporte. Campeã olímpica em Tóquio 2020 e dona de sete títulos mundiais, Ana Marcela escolheu um ano com calendário internacional menos intenso para realizar um objetivo antigo, que ultrapassa a busca por medalhas.
Ana Marcela Cunha segue determinada a reafirmar uma característica que marcou toda a sua carreira: a capacidade de transformar desafios extremos em conquistas construídas com planejamento, resistência e paixão pelo esporte. Independentemente do cronômetro, a travessia já surge como mais um feito relevante para uma atleta que ajudou a colocar a Bahia e o Brasil no mapa das águas abertas mundiais.
A Bahia voltou a mostrar força na canoagem nacional . Na Copa Brasil 2026, disputada em Lagoa Santa (MG), a delegação baiana conquistou 63 medalhas (sendo 21 de ouro) e confirmou um domínio consistente nas provas com embarcações do tipo canoa.
Mais do que o volume de pódios, o dado que chama atenção é o controle técnico das disputas: os atletas do estado venceram 19 das 21 provas da categoria. Um desempenho que não surge por acaso e que tem raízes em regiões como Itacaré e Ubaitaba, onde a modalidade faz parte do cotidiano.
Entre os destaques, nomes como Mateus Nunes e Valdenice Conceição, da Associação de Canoagem de Itacaré, além de Filipe Vinicius e Gabriel Assunção, da Associação Cacaueira de Canoagem, lideraram as principais provas de velocidade, tanto no individual quanto em duplas. São atletas que já transitam no cenário internacional e ajudam a consolidar a Bahia como referência.
A força, no entanto, não está apenas na elite. A base também chama atenção. Jovens como Lorrane Souza, Lucas Espírito Santo e Tailon Nascimento despontam como próxima geração, indicando que o ciclo de formação segue ativo e estruturado.
No quadro geral por equipes, a Associação de Canoagem de Itacaré terminou na segunda colocação, enquanto clubes de Ubaitaba também figuraram entre os primeiros colocados. Esse equilíbrio entre diferentes projetos reforça um ecossistema sólido, distribuído e competitivo.
A competição, que reuniu mais de 200 atletas de 26 clubes, também teve papel estratégico: serviu como seletiva para competições internacionais. Ou seja, além das medalhas, o desempenho impacta diretamente o futuro da modalidade no país.
Celebrado em 8 de abril, o Dia Mundial da Natação reforça um debate cada vez mais presente entre famílias e educadores: o papel da atividade aquática no desenvolvimento infantil. Mais do que uma prática recreativa, a natação vem sendo apontada como uma ferramenta consistente de estímulo físico, cognitivo e emocional desde os primeiros anos de vida.
Dentro da água, o corpo da criança é desafiado de forma diferente. A resistência natural do ambiente exige mais coordenação, enquanto a flutuação reduz o impacto e amplia as possibilidades de movimento. O resultado é um estímulo completo, que envolve músculos, equilíbrio e percepção corporal.
Segundo o educador físico Rafael Cardoso Soares, o ambiente aquático funciona como um facilitador do desenvolvimento global, pois transforma o medo em curiosidade e o esforço em diversão, garantindo que o primeiro contato com o esporte seja uma memória feliz para toda a vida.
“A água oferece estímulos sensoriais únicos que aprimoram a coordenação motora, a percepção corporal e o equilíbrio. Mais do que técnica, a criança aprende a superar desafios e a explorar sua autonomia de forma lúdica e segura”
Na prática, o processo respeita fases bem definidas. Entre 6 meses e 3 anos, o foco está na adaptação ao meio líquido, sempre com a presença dos pais, o que também fortalece o vínculo afetivo. A partir dos 3 ou 4 anos, surgem os primeiros movimentos coordenados, como flutuação e deslocamento. Já por volta dos 5 ou 6 anos, a aprendizagem dos estilos de nado começa a ganhar estrutura. Mas os impactos vão além do físico, pois ao participar das aulas, a criança aprende a lidar com regras, a esperar sua vez e a conviver em grupo. São elementos que dialogam diretamente com a formação social e emocional.
Esse conjunto de estímulos ajuda a desenvolver autonomia e autoconfiança. Cada avanço como mergulhar, flutuar ou atravessar a piscina representa uma conquista concreta, que reforça a percepção de capacidade. Ao mesmo tempo, há um ponto que merece atenção: a qualidade da orientação. Especialistas destacam que os benefícios estão diretamente ligados a um ambiente seguro, lúdico e conduzido por profissionais preparados. Sem isso, o que deveria ser um processo de descoberta pode se transformar em bloqueio.