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Nas pistas

Petrobahia anuncia patrocínio do atleta Bruno Borba através do programa FazAtleta

Acordo fortalece a trajetória do piloto e revela o papel dos programas públicos no esporte de base

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O piloto de kart de Vitória da Conquista Bruno Borba, de 32 anos, acaba de receber um reforço decisivo para sua carreira: o patrocínio da Petrobahia, viabilizado pelo FazAtleta, programa do governo estadual que fomenta atletas e modalidades em crescimento. Líder do Campeonato Baiano de Kart em 2025 e vice-campeão no ano anterior, o piloto vive um momento de afirmação após três anos dedicados ao automobilismo.

A chegada do apoio tem impacto direto em uma modalidade reconhecida pelo custo elevado e pelas barreiras de permanência. Para Bruno, competir em mais pistas e subir de categoria só se torna possível com parcerias estruturadas. “Esse patrocínio vai permitir que meu amor pelo kartismo continue firme e forte. É uma modalidade cara, difícil de manter. Estou muito feliz com essa conquista”, afirma.

A relação com a Petrobahia, porém, começou antes do contrato. O kartista treina desde o início da carreira no Kartódromo de Vitória da Conquista, inaugurado em 2007 com participação direta da distribuidora na construção. Hoje ranqueado pela Federação de Automobilismo da Bahia, Bruno já carrega no macacão e no kart as cores da marca, reforçando a identidade construída nas pistas.

Com duas etapas restantes no Campeonato Baiano, ele tenta consolidar o título antes de avançar à categoria graduada em 2026; que tem nível de competitividade mais alto e abre caminho para desafios maiores no cenário nacional. A supervisora de marketing da Petrobahia, Andreia Lucas, destaca o simbolismo da parceria: apoiar um atleta em ascensão e fortalecer o esporte baiano em diferentes frentes.

A empresa mantém uma rede de apoio que inclui atletas de modalidades como vela, kickboxing, natação, hipismo, jiu-jitsu e motosurf, além de eventos ligados ao endurance e ao esporte de aventura. O movimento revela como iniciativas de incentivo público, como o FazAtleta, somadas ao investimento privado, ampliam oportunidades em regiões distantes dos grandes centros do automobilismo.

No caso de Bruno Borba, o patrocínio não é apenas verba. É combustível para um projeto de vida que nasceu no interior do estado e agora tenta ganhar velocidade no país.

Artigos

Kart: o mercado de R$ 1 bilhão que o Brasil ainda não enxerga

Por que um mercado consolidado segue invisível e o que falta para transformar pilotos em ativos no esporte?

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por Geraldo Affonso Ferreira*

Existe um mercado bilionário no Brasil que, apesar de sua escala, ainda não é tratado como indústria. O kart, tradicional porta de entrada do automobilismo, movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no País, forma pilotos e envolve milhares de famílias – mas segue fora do radar do capital institucional.

Essa cifra, pouco conhecida fora do próprio ecossistema, é sustentada por uma base de cerca de 2.800 pilotos filiados à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). O investimento anual por piloto pode variar de R$ 120 mil a mais de R$ 500 mil, dependendo do nível competitivo. Trata-se de um fluxo relevante de recursos que se distribui por uma cadeia ampla e recorrente, que inclui pneus, motores, chassis, equipes, logística e inscrições.

Diferentemente de outros esportes estruturados por direitos de mídia, o kart brasileiro é financiado quase integralmente pelas famílias dos pilotos. Isso cria um mercado resiliente, com receita recorrente e baixa dependência de ciclos externos. Ao mesmo tempo, essa característica ajuda a explicar por que o setor permanece invisível para investidores: ele cresce de forma orgânica, mas sem estrutura.

O principal desafio não é falta de escala, é falta de organização.

Hoje, não existem métricas amplamente aceitas sobre o tamanho do mercado, o perfil de consumo, o retorno para patrocinadores ou mesmo a cadeia completa de fornecedores. Sem dados e sem governança, o kart não é percebido como uma indústria, apesar de já operar como uma.

Quando olhamos para os principais campeonatos nacionais, essa dinâmica se torna ainda mais clara. O Campeonato Brasileiro de Kart, por exemplo, já superou 650 inscrições em uma única edição, com forte presença de categorias de entrada, mas também com participação relevante de pilotos adultos, especialmente nas categorias sênior e master. Isso revela um duplo motor econômico: de um lado, a formação contínua de novos talentos; de outro, uma base consolidada de praticantes com maior poder aquisitivo, responsável por grande parte do consumo recorrente.

Na prática, o kart brasileiro combina duas dimensões que raramente coexistem com tanta força: ele é, ao mesmo tempo, um funil de formação esportiva e um mercado estruturado de lazer de alto padrão. Essa combinação, por si só, já deveria colocá-lo no radar do capital.

Mas há uma questão ainda mais relevante: o potencial de transformar o piloto em um ativo.

Hoje, o investimento no kart é, majoritariamente, um custo assumido pelas famílias, sem uma estrutura que permita capturar valor ao longo do tempo. Não há mecanismos consolidados de acompanhamento de performance, de projeção de carreira ou de mensuração de retorno para quem investe. Com isso, perde-se a oportunidade de enxergar o piloto como um ativo em desenvolvimento, algo que é a realidade de outros esportes.

À medida que o setor se organiza, esse cenário pode mudar. Quando você cria método, padronização e métricas, passa a ser possível acompanhar a evolução de um piloto, entender seu potencial, estruturar sua trajetória e, principalmente, conectar essa jornada a investidores e marcas. O piloto deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo com potencial de valorização ao longo da carreira.

Isso abre espaço para novos modelos. Desde aportes privados na formação de talentos até estruturas mais sofisticadas, semelhantes a fundos de investimento em atletas, passando por contratos de longo prazo com patrocinadores que entram mais cedo na jornada. Mas, para que isso aconteça, é preciso resolver o problema central: organização.

Foi a partir dessa leitura que começaram a surgir iniciativas para trazer governança, método e organização para a formação de pilotos no País. Além de preparar atletas, precisamos desenvolver métricas, padronizar processos, estruturar jornadas e transformar um ecossistema hoje fragmentado em um mercado mais compreensível e acessível ao capital. Em outras palavras, criar as condições para que o kart deixe de ser apenas um conjunto de iniciativas isoladas e passe a ser reconhecido como uma cadeia econômica organizada.

O kart brasileiro já tem escala, recorrência e uma base ativa altamente engajada. É importante destacar que entidades como a CBA cumprem um papel fundamental na organização esportiva e regulatória do kart no Brasil. O desafio que se coloca agora não é regulatório, mas estrutural e econômico: como criar um ambiente que permita maior previsibilidade, transparência e atração de capital para um mercado que já possui escala relevante

E, na história dos negócios, são justamente esses momentos — em que um mercado já existe, mas ainda não está organizado — que costumam concentrar as maiores oportunidades.

* Geraldo Affonso Ferreira, epecializado em governança corporativa, Geraldo Affonso Ferreira foi executivo de multinacionais do setor de papel e celulose por 30 anos. É criador da Motori Brasil, organização da sociedade civil que tem como objetivo profissionalizar a formação de pilotos a partir do Kart.

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Nas pistas

Pedal da Cidade transforma aniversário de Salvador em ato coletivo de esporte e ocupação urbana

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Nem a chuva afastou quem decidiu celebrar os 477 anos de Salvador de forma ativa. O Pedal da Cidade reuniu ciclistas de diferentes perfis na orla, em um percurso de 16 quilômetros entre a Boca do Rio e Amaralina, reforçando uma tendência que vai além do lazer: a reocupação dos espaços urbanos por meio do esporte.

O evento, promovido pela Prefeitura, integrou a programação do aniversário da capital e evidenciou como iniciativas simples podem estimular hábitos mais saudáveis. Mais do que um passeio, o pedal se consolidou como um convite à mobilidade alternativa em uma cidade historicamente marcada pela dependência do transporte motorizado.

A adesão mesmo sob tempo instável revela um dado importante: há demanda reprimida por atividades ao ar livre que sejam acessíveis e coletivas. A presença de bicicletas compartilhadas, por exemplo, ampliou o alcance da ação e reduziu barreiras de entrada, que é um ponto-chave para democratizar o ciclismo urbano.

Outro aspecto relevante foi o caráter solidário. A arrecadação de alimentos adiciona uma camada social ao evento, conectando esporte e cidadania. Esse tipo de iniciativa amplia o impacto e reforça o papel do esporte como ferramenta de transformação.

Ainda assim, o desafio permanece. Eventos pontuais mostram o potencial, mas a consolidação de uma cultura ciclística em Salvador depende de políticas contínuas: infraestrutura segura, integração com o transporte público e estímulo permanente ao uso da bicicleta no dia a dia.

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Nas pistas

Circuito Baiano de Skate Street abre temporada em Salvador com a beleza da Cidade Baixa

Etapa na Ribeira reúne atletas de diferentes regiões e se consolida como porta de entrada para o cenário nacional

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Salvador volta a ser ponto de encontro do skate baiano neste fim de mês. A capital recebe, no fim de semana (dias 28 e 29), a primeira etapa do Circuito Baiano de Skateboard Street 2026, na pista da Praia da Ribeira, no Bonfim, marcando o início da temporada da modalidade no estado.

Com expectativa de cerca de 100 atletas, a competição reúne sete categorias, entre masculino e feminino, e reforça uma característica que tem se consolidado nos últimos anos: o crescimento da participação feminina e a diversidade de níveis dentro do esporte.

Mais do que uma disputa local, o circuito ganha relevância por ser homologado pela Confederação Brasileira de Skateboarding. Na prática, isso transforma a etapa baiana em via de acesso ao Campeonato Brasileiro, ampliando o alcance do evento e atraindo atletas de diferentes cidades da Bahia e também de estados vizinhos.

Esse ponto ajuda a explicar o aumento do interesse. Em um cenário onde nem todos os estados possuem competições reconhecidas nacionalmente, o circuito baiano passa a ocupar um espaço estratégico no calendário do skate nordestino.

Ao mesmo tempo, o evento mantém uma característica importante: o acesso. Com entrada gratuita para o público, a etapa na Ribeira aproxima o esporte da população e reforça o papel dos espaços urbanos como centros de convivência e formação esportiva.

A escolha do local também não é por acaso. A orla da Ribeira carrega um simbolismo que dialoga com a essência do skate, um esporte que nasceu da rua e ainda se alimenta da relação direta com a cidade. Inspirado por nomes como Rayssa Leal, o skate vive um momento de expansão no Brasil. Na Bahia, ter um circuito homologado nacionalmente ajuda a traduzir esse crescimento em oportunidade concreta para novos atletas.

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