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Nas águas

Salvador entra para a história ao sediar o maior campeonato de canoa polinésia do Brasil

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As águas da Baía de Todos-os-Santos receberam, neste último fim de semana, o Campeonato Brasileiro de Va’a 2025, a maior competição de canoa polinésia do Brasil. Pela primeira vez realizado no Nordeste, o evento reuniu cerca de 600 atletas e paratletas de todo o país, com idades entre 13 e 84 anos, competindo nas categorias V1, V1R, V2R e V3, em percursos de 8 km, 12 km e 16 km.

A competição teve como palco a Marina da Penha, na Ribeira, e consagrou a paulista Luana Vittorazzo como campeã do V1 feminino, com tempo de 1h38min39seg. No masculino, o capixaba Robert Almeida Gonçalves se destacou ao finalizar a prova em 1h21min38seg. Ambos representarão o Brasil nos torneios Mundial e Pan-Americano de Va’a, que serão realizados este ano em Niterói (RJ) e Rapa Nui (Chile). Outros destaques foram Kaique Passos Ramos e Felipe Rodriguez, que registraram os melhores tempos do evento no V1 masculino júnior.

Realizado pela M1 Treinamentos e Eventos, com a chancela da Confederação Brasileira de Va’a (CBVAA), o evento reuniu um público de aproximadamente 1.000 pessoas por dia e movimentou o turismo esportivo e náutico na capital baiana. “A chegada do campeonato ao Nordeste é um marco para o fortalecimento do esporte na região, impulsionando não apenas os atletas, mas também o setor de turismo e negócios”, destaca Nicole Saback, representante da CBVAA na Bahia.

O Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Turismo (SETUR), foi um dos grandes apoiadores do evento. Segundo o secretário Maurício Bacellar, “o Governo tem consciência do potencial do turismo náutico e investiu cerca de US$ 70 milhões na infraestrutura da região. Esses investimentos têm atraído grandes competições e eventos náuticos para o estado, como o Campeonato Brasileiro de Va’a. Além de fomentar a prática esportiva, o evento impulsiona a chegada de turistas e atletas de diversos estados, movimentando a rede hoteleira, restaurantes, bares e transporte, consolidando Salvador como referência em turismo esportivo.”

A escolha da Marina da Penha como sede do campeonato reforça essa estratégia. “O espaço foi totalmente revitalizado, com infraestrutura moderna, e simboliza a aposta da Bahia no turismo esportivo e sustentável, valorizando os recursos naturais e ampliando as oportunidades econômicas para a região”, afirma Bacellar.

Manoel Lima, CEO da M1 Treinamentos e Eventos, também celebrou o sucesso da competição. “Conseguimos atrair não apenas atletas e técnicos, mas também visitantes e investidores que enxergam na Bahia um polo promissor para eventos esportivos. O campeonato trouxe visibilidade para a região e mostrou o potencial de Salvador para sediar grandes competições.”

A canoa polinésia vem crescendo exponencialmente no Brasil desde sua chegada, no ano 2000, e Salvador entra de vez no circuito das grandes competições da modalidade. O Campeonato Brasileiro de Va’a 2025 não foi apenas uma disputa esportiva, mas um evento que impulsionou a economia local, fortaleceu a cultura náutica e deixou um legado para o desenvolvimento do esporte na região.

Foto | Tríade

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Nas águas

Remada da Rainha do Mar transforma a Baía de Todos-os-Santos em espaço de fé, esporte e reconexão

Procissão alternativa sai do Comércio e propõe homenagem a Iemanjá longe das multidões do Rio Vermelho

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No dia 2 de fevereiro, quando Salvador volta seus olhos e oferendas para Iemanjá, a Baía de Todos-os-Santos também se torna cenário de um ritual que une espiritualidade, esporte e cultura marítima. A tradicional Remada da Rainha do Mar leva fiéis e remadores para a água a partir da Praia da Preguiça, no Comércio, em um percurso simbólico até o Forte São Marcelo.

Realizada em canoas havaianas, a iniciativa propõe uma vivência diferente da festa mais emblemática do calendário religioso baiano. Longe da intensidade das grandes multidões, a remada oferece um contato mais direto com o mar, em um trajeto de cerca de 5 quilômetros, marcado pela entrega de rosas e tributos à Orixá, em pleno coração da baía.

A ação integra a programação de fevereiro do Clube de Canoagem Kaiaulu Va’a, que organiza saídas ao longo da manhã — às 6h, 7h30, 9h e 10h30 — além de uma última remada às 16h30, no encerramento da procissão marítima. O circuito é acessível tanto para remadores iniciantes quanto experientes, reforçando o caráter inclusivo da atividade.

Mais do que um evento esportivo, a Remada da Rainha do Mar se consolida como um roteiro cultural alternativo, valorizando a relação histórica dos baianos com o mar e propondo novas formas de vivenciar a fé. “A Praia da Preguiça se transformou nesse espaço de reconexão, mais individual, mas igualmente potente. Temos orgulho de fazer parte desse movimento”, destaca Lorena Lago, gestora do Kaiaulu Va’a.

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Nas águas

Flamengo encerra canoagem olímpica e dispensa Isaquias Queiroz em meio a receita histórica

Decisão atinge ícone baiano do esporte olímpico e levanta debate sobre prioridades de um clube que faturou R$ 2 bilhões

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Mesmo vivendo o maior momento financeiro de sua história, o Flamengo anunciou o encerramento das modalidades de canoagem olímpica e remo paralímpico a partir de 2026. A decisão, comunicada nesta segunda-feira (5), provoca reação no esporte brasileiro e tem impacto direto na Bahia: o clube dispensou Isaquias Queiroz, um dos maiores atletas olímpicos da história do país.

O canoísta baiano, campeão olímpico e dono de cinco medalhas em Jogos Olímpicos, defendia o Flamengo há cerca de sete anos. Na nota oficial, o clube agradece a trajetória de Isaquias e de outros atletas, mas justifica o fim do projeto com base em uma “avaliação estratégica”, alegando dificuldades estruturais pelo fato de os competidores não treinarem nem residirem no Rio de Janeiro.

A explicação, no entanto, contrasta com o cenário financeiro rubro-negro. Em 2025, o Flamengo se tornou o primeiro clube brasileiro a atingir R$ 2 bilhões em receita anual, impulsionado por premiações, direitos de transmissão, patrocínios e vendas de atletas. Só nos três primeiros trimestres do ano, o faturamento já ultrapassava R$ 1,5 bilhão.

Impacto além dos números

Ao encerrar a canoagem, o clube abre mão de uma modalidade que lhe rendeu prestígio olímpico, visibilidade institucional e associação a valores como formação esportiva e inclusão. No caso de Isaquias, trata-se não apenas de um atleta vitorioso, mas de um símbolo do esporte brasileiro, formado longe dos grandes centros e reconhecido mundialmente.

O encerramento do pararemo segue a mesma lógica. Atletas paralímpicos também foram desligados, reforçando a percepção de que modalidades fora do eixo principal do futebol passam a ocupar um espaço cada vez mais frágil dentro da estrutura do clube.

Um padrão que se repete?

A medida se soma a críticas recentes envolvendo outras áreas esportivas do Flamengo. Em 2025, reportagens apontaram problemas estruturais no futebol feminino, incluindo campos fora do padrão, carência de espaços adequados para preparação física e mudanças constantes na rotina de treinos. Para 2026, o clube já sinalizou ajustes orçamentários e mudanças técnicas na modalidade.

O conjunto dessas decisões alimenta um debate maior: qual é o papel social e esportivo de um clube poliesportivo em um cenário de abundância financeira?

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Nas águas

Canoagem havaiana ganha espaço entre baianos e turistas no verão de Salvador

Modalidade une esporte, lazer e contemplação e atrai baianos e turistas à Baía de Todos-os-Santos

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Com a chegada do verão, Salvador volta a olhar com mais atenção para o mar como cenário e como espaço de vivência esportiva e cuidado com o corpo e a mente. Entre as práticas que crescem na estação mais quente do ano, a canoagem havaiana (Va’a) tem se consolidado como uma experiência que combina atividade física, lazer e conexão com a natureza.

A prática tem atraído tanto moradores quanto turistas interessados em explorar a Baía de Todos-os-Santos a partir de uma outra perspectiva. As remadas guiadas permitem percursos que passam por cartões-postais históricos da cidade, como o Forte São Marcelo, o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda, criando uma experiência que mistura esporte, paisagem urbana e contemplação.

Mais do que um passeio, a canoagem havaiana propõe um ritmo próprio. As remadas são cadenciadas, com paradas estratégicas para mergulho, descanso e observação do entorno. Esses elementos aproximam a modalidade de práticas associadas ao mindfulness e ao bem-estar físico e mental.

À frente de uma das iniciativas que impulsionam esse movimento está o Clube de Canoagem Kaiaulu Va’a, que tem observado aumento significativo na procura por aulas e passeios durante o verão. Para a gestora Lorena Lago, o crescimento reflete uma mudança no perfil de quem busca lazer na cidade. “As pessoas querem estar ao ar livre, aproveitar o calor e o pôr do sol, mas também cuidar do corpo e da mente. A canoagem oferece tudo isso ao mesmo tempo”, explica.

A estrutura também acompanha essa demanda. Um flutuador instalado próximo ao Forte São Marcelo ampliou as possibilidades de vivência na água, funcionando como ponto de apoio para mergulhos, pausas e registros visuais da paisagem. A experiência começa ainda na areia, com orientações básicas sobre a técnica de remada, e se estende mar adentro, respeitando tanto iniciantes quanto praticantes mais experientes.

O avanço da canoagem havaiana em Salvador ajuda a revelar uma tendência mais ampla: a busca por experiências esportivas que dialoguem com o território, valorizem a paisagem e promovam saúde de forma integrada. A cada verão, a prática deixa de ser alternativa de nicho e passa a ocupar um espaço mais visível no cotidiano da cidade.

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